Divindades

sábado, janeiro 30, 2010

















Mantenho-me coesa na graça de me ser única, estrela fabricada no melhor açúcar! Mantenho-me nos trilhos ou em cima de uma nuvem, onde Anauel vestido de pássaro da luz, me guia como um brinquedo. No meu dedo, a metonímia de uma mão maior, me pega no colo e explica "as verdades" da minha alma. Do outro lado, a grande mãe, que agora sei, compadecida e grande advogada, do outro lado, ela me aninha e me embala, depois sussurra-me um presente que não posso te contar... por ser demasiado meu e divinamente nosso. 

Anauel é uma criança que ri dentro dos meus olhos mostrando-me que o caminho de pedras não é duro pra sempre. Nas mãos deste anjo, meu par, pedras são pássaros e o caminho que eu julgava deserto é um lindo lago onde posso me deitar. Do céu caem-me pétalas de rosas, como se fossem purpurina, ou confete de festa. Afrodite é quem as lança convidando-me a mais uma dança! Eu me entrego toda inteira, bebo a taça em grandes goles, tenho o mar e as estrelas imersas no meu sangue. Netuno me abre os mares, Oxóssi me ensina a lançar a flecha, Iemanjá me beija a face, doce como a melhor amiga. 

São Pedro me abre as portas, São José me indica a passagem, onde a verdade de minha memória infantil, estará ao alcance de minha mão. Depois me sorri com olhos de avó. Buda medita comigo. Ganesha me dá um banho de cheiro com sua tromba sagrada. Santo Expedito mostra-me que nada é impossível, São Longuinho, que tudo está por ser encontrado. São Cosme e Damião brincam na varanda das minhas idéias. Santa Terezinha abre as cortinas dos palcos para as minhas estréias. Pã, toca sua flauta e me oferece vinho. Fadas, gnomos e ninfas dançam em minhas pupilas. O divino menino azul, da Índia me sopra incenso, afastando-me das más lembranças e trazendo-me para mais perto de mim. 

São Jorge vence o dragão em minha frente. E em seu cavalo me convida a um passeio. Em meus dedos prendo as crinas do corcel de tão nobre cavaleiro. Depois me ensina a força da invisibilidade (para quando for necessária). E na coragem desses guerreiros me espelho a cantar de novo minha vida. Mantenho-me coesa, na graça de me ser única. Estrela fabricada no melhor açúcar!

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