Poesia Matemática

sexta-feira, abril 23, 2010


















Às folhas tantas
Do livro matemático
Um Quociente apaixonou-se
Um dia Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base, Uma Figura Ímpar; Olhos rombóides, boca trapezóide, Corpo otogonal, seios esferóides.
Fez da sua Uma vida Paralela a dela
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?" indagou ele Com ânsia radical.
"Sou a soma dos quadrados dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram -
O que, em aritmética, corresponde A almas irmãs - Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas
 E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram se casar
Constituir um lar.
Mais que um lar, Uma perpendicular.
 Convidaram para padrinhos O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade Integral E diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
Muito engraçadinhos
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal, Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum Freqüentador de Círculos Concêntricos. Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo, Uma Unidade.
Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fração Mais ordinária.
Mas foi então que o Einstein descobriu a Relatividade
E tudo que era espúrio passou a ser Moralidade
Como, aliás, em qualquer Sociedade.

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