História Pátria

quarta-feira, junho 02, 2010

Transcreve-se a seguir, um dos mais belos poemas criados por Ascenso Ferreira, que conjuga valores históricos, religiosos, culrurais e tem a ver com uma certa memória do passado e projeção do futuro. 




























História Pátria Plantando mandioca, plantando feijão, colhendo café, borracha, cacau, comendo pamonha, canjica, mingau, rezando de tarde nossa Ave-Maria, Negramente... Caboclamente... Portuguesamente... A gente vivia. De festas no ano só quatro é que havia: Entrudo e Natal, Quaresma e Sanjoão! Mas tudo emendava num só carrilhão! E a gente vadiava, dançava, comia... Negramente... Caboclamente... Portuguesamente... Todo santo dia! O Rei, entretanto, não era da terra! 

E gente pra Europa mandou-se estudar... Gentinha idiota que trouxe a mania de nos transformar da noite pro dia... A gente que tão Negramente... Caboclamente... Portuguesamente... Vivia! (E foi um dia a nossa civilização tão fácil de criar!) Passou-se a pensar, passou-se a cantar, passou-se a dançar, passou-se a comer, passou-se a vestir, passou-se a viver, passou-se a sentir, tal como Paris pensava, cantava, comia, Sentia... A gente que tão Negramente... Caboclamente... Portuguesamente... Vivia! 

Essa poesia tem raízes históricas. Ela é o relato da colonização européia no Brasil e sua influência em nossa cultura, e até hoje a nação brasileira está comprometida com a chamada "mistura das raças", sua diversidade e seu contraste cultural. A diversidade explica a variedade dos elementos culturais existente na nossa língua portuguesa, nos rituais religiosos, na culinária, na dança, na música, etc. 

O contraste mostra a oposição entre esses elementos , em que um deles se sobressai, impondo-se ao outro. Ocorreu, no Brasil, a imposição dos aspectos culturas do europeu, que consequentemente passaram a predominar sobre os traços culturais africanos e indígenas. Isso trouxe como consequência a discriminação e o preconceito que fragmenta a identidade do brasieliro e nos separa na busca de uma identidade comum, por isso deve ser combatido e desestimulado em todas as suas formas e situações em que ele ocorrer.

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