Breve história de Veríssimo

terça-feira, outubro 05, 2010

Os contos e crônicas de Luis Fernando Veríssimo são textos humorísticos, repletos de ironia, estimulando uma leitura por fruição, permitindo a interação entre autor/texto/leitor. Na realidade a obra se concretiza no ato da leitura,podendo o leitor decifrá-la, aceitá-la, deformá-la e até mesmo refutá-la, transformando-se no ato da leitura num co-autor da mesma e, à medida que vai ampliando seu repertório de conhecimento de obras, também aumenta sua capacidade crítica. Outras características da sua obra são os vazios, os implícitos, que pedem um leitor capaz de preencher essas lacunas, a fim de que este se dê conta da verdadeira intenção do que é proferido. Também a transgressão é marca de seus textos, sendo que o leitor, às vezes, é surpreendido com situações inesperadas criadas pelo autor, que atrai o leitor para um caminho confiante, mas que repentinamente será alterado, originando um redimensionamento de crenças em relação às expectativas geradas. Entre suas autodefinições irônicas, a mais conhecida é aquela em que Luis Fernando Veríssimo apresenta-se como o gigolô das palavras. Atrás do espírito brincalhão, revela-se o escritor preocupado com as infinitas possibilidades de expressão que as palavras carregam. Exemplos disso estão nas crônicas “Sexa”,“Pá, Pá, Pá”, “Defenestração”, “Tintim”, “Papos”, “O Jargão”, ‘Pudor”, “Palavreado”,que apresentam-se no livro Comédias para se Ler na Escola (2001). Enfim, com essas características, o autor espera, apesar de alguns insucessos, (por ser um autor extremamente irônico alguns leitores não conseguem entender seu texto), que ambas as partes compartilhem os saberes, havendo, por conseguinte, uma interação. Veríssimo não se considera um escritor, mas um jornalista, talvez um profissional híbrido e não se preocupa se o que escreve é crônica, conto, etc., diz deixar para os teóricos essa responsabilidade e isso se confirma no seu texto “Crônica e o Ovo” em que afirma que “o escritor diante do papel em branco (ou ,hoje em dia, da tela limpa do computador) não pode ficar se policiando para só “botar” textos que se enquadrem em alguma definição técnica de crônica. O que aparecer é crônica” (VERISSIMO, 2004, p. 7–8). Um exemplo claro de que isso realmente acontece visto no seu livro de contos O Santinho (2001), onde aparecem os contos “Santinho” e “A História, mais ou menos”, que livro O Nariz & Outras Crônicas (2004) são classificados como crônicas.

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