Que dia é hoje?

sábado, abril 30, 2011

— Onde estão as crianças? — Na casa da avó. — Por que tudo isso? — É um dia especial, amor. — Nossa, querido, não esperava que você me preparasse o jantar! — Não podia ser menos. — Mas até velas, Jesus!, champanha Brut gelada! — Viu? Não esqueci, nunca poderia esquecer. — Esquecer do quê? — Não diz que esqueceu, Joana? — Não, não, imagina… (Não era aniversário dela, muito menos dele) — Ai que bom, já estava com medo de que não tivesse sido importante para você. — Claro que foi, estava fingindo surpresa. — E o que lembra daquele dia? — Ahnan. — Daquele dia, o que mais marcou você? (Não era aniversário do casamento, nem do namoro) — Ah… Seu jeito de mexer meus cabelos. — Mas você não me deixava tocar, dizia que o cabelo de prenda é como beijo de puta. — Ah, é mesmo. (Pô, aniversário de quem?) — O que não esqueço; senta, vamos comer. — Que delícia, tortei. — Deixa que sirvo; o que não esqueço é que você foi embora pensando que eu iria correr atrás. — E? — Como assim “e”? Eu corri, né? — É verdade… — Você não lembra que dia é hoje, não lembra, esqueceu de novo! — Olha, Olavo, juro que tentei, mas não fica magoado, por favor… — Como que não? Parece que somente eu dou bola para a relação. — Não é isso, tô muito cansada para forçar a cabeça. — Forçar a cabeça? Eu não mereço seu esforço, ótimo. — Não é isso, é que… — É que? — É que não queria cobrança de nada. — Comemorar agora é cobrança, onde vamos parar? — Não quero estragar, vamos lá, me perdoa. — Porra, Joana, é o dia do nosso primeiro beijo, há dez anos, na frente da banca do Mercado Público. — Como você é romântico… — E como você é insensível… — Vai começar? — Perdi a fome. Pode comer sozinha… — Não faz cena, Olavo! — E só para você saber: é também aniversário de nossa primeira briga.

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