As mentiras que os homens contam - Luís Fernando Veríssimo

domingo, agosto 21, 2011



"Nós nunca mentimos. Quando mentimos, é para o bem de vocês. Verdade. Começa na infância, quando a gente diz para a mãe que está sentindo uma coisa estranha, bem aqui, e não pode ir à aula sob pena de morrer no caminho. 

Se fôssemos sinceros e disséssemos que não tínhamos feito a lição de casa e por isso não podíamos enfrentar a professora, a mãe teria uma grande decepção. Assim, lhe dávamos a alegria de se preocupar conosco, que é a coisa que mãe mais gosta, e a poupávamos de descobrir a nossa falta de caráter. Melhor um doente do que um vagabundo. E se ela não acreditasse, e nos mandasse ir à escola de qualquer jeito, ainda tínhamos um trunfo sentimental. 'Então vou ter que inventar uma história para a professora', querendo dizer vou ter que mentir para outra mulher como se ela fosse você."  

Hoje, arrumando minha pequena biblioteca, eu me deparei com um livro muito gostoso, que por sinal já declarei aqui no blog,a intensa paixão que tenho por crônicas,especialmente as de Veríssimo.Com prazer, dediquei-me a reler algumas das 40 crônicas que compõem As mentiras que os homens contam. Nesse livro, Luís Fernando Veríssimo apresenta uma boa galeria de personagens capazes de qualquer falácia para preservar a própria pele. Seriam esses tipos incorrigíveis mentirosos ou simples inventores de histórias? 

Depois de ler essa coletânea de deliciosas crônicas, você também sentirá crescer a compaixão por esses adoráveis mentirosos, os quais, supostamente, não mentem: recriam realidades para proteger as mulheres que amam - esposas, namoradas, amigas, mães [essa é boa, né?]... "Não mentíamos para vocês, mentíamos por vocês. 

Os verdadeiros cavalheiros eram os que enganavam as mulheres. Os calhordas diziam, abjetamente, a verdade. Não faziam o que juravam que não iam fazer, transferindo toda a iniciativa a vocês. É ou não é?". 

Revelando-se cada vez mais um perspicaz observador do cotidiano e extraindo o lado mais cômico de situações sociais constrangedoras, Veríssimo, com sua linguagem envolvente, irônica e bem-humorada, cativa o leitor, que, sem perceber, mergulha nesse divertido universo em que a mentira mantém em harmonia o convívio social. Sem dúvida, um livro leve, que facilmente poderá deleitar os mais diversos leitores.

Você também pode gostar

0 comentários

Obrigada pela visita! Sua participação é muito importante.

SIGA-ME NO INSTAGRAM: @zildapeixoto