Das mesas de bar

quinta-feira, agosto 25, 2011




Sinto a falta de vocês. – era uma voz embargada do outro lado da linha. Não que ele se sentisse só, mas sentia falta dos amigos de sempre. Das brincadeiras, bebedeiras, das partidas de futebol, daquela cumplicidade de uma mesa de bar. De poder aparecer na porta de qualquer um deles e conversar olho a olho sobre os problemas amorosos, sobre trabalho, estudo, família, dívida externa e interna. Poker. Sentia saudades dos torneios de poker. Com cerveja gelada.


Mudar de cidade foi uma decisão fácil, apesar de toda dificuldade que ele tem de tomá-las. Às vezes ele tem que agir assim, por impulso. De forma passional, sem razão alguma. Gostava disso. Acelerava todos seus raciocinios. De forma que virava um turbilhão de idéias e pensamentos. Era louco. Mas hoje sentia saudades. Dos amigos.

De cada um deles. Dos rostos e sorrisos. Das palavras nem sempre animadoras. Das piadas sem graça. Do modo como eles mandavam se calar. Dos xingamentos amigáveis. Dos abraços violentos. Tapinhas nas costas. Das gozações por erros. Das mulheres feias. Dos chifres. Do seu time que perdeu. De como criticavam todo seu corte de cabelo, sua barba por fazer. Estilo David Villa.

Era pra eles que corria quando precisava. Agora estava só, apesar de não se sentir só. Cidade grande. Novas amizades ou não. Preferia manter as velhas. Um por um. Então desligou o telefone naquela noite fria. Eles numa mesa de bar com uma cadeira vazia esperando por ele. Mas ele não poderia ir beber hoje. Não com eles. Só.

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