O Ciclista da Madrugada, por Arnaldo Bloch

domingo, agosto 14, 2011

Trago pra vocês mais uma dica de boa literatura.Trata-se de O Ciclista da Madrugada, publicado pela Editora Record, do cronista Arnaldo Bloch, do jornal O Globo. Para os que não sabem, Bloch nasceu em 1965, é colunista do Segundo Caderno, e autor do livro Os Irmãos Karamabloch, sucesso de público e crítica, lançado em 2008. A obra que apresento hoje, é uma coletânea das melhores crônicas publicadas pelo autor no jornal O Globo; naturalmente, com algumas alterações para que os textos se enquadrem no formato de livro. A capacidade narrativa,ou melhor, a habilidade com a palavra é muito boa, com uma prosa que flui naturalmente, é boa de se ler e de se acompanhar, sempre com pitadas de ironia e com algumas colocações que nos fazem refletir. De um modo geral, apesar das variações entre os temas, o livro fala de cotidiano e, embora não sejam textos de ficção, tem sim um caráter literário importante. Sinceramente, a todos aqueles que gostam de boas crônicas ou que gostam de livros que apresentem uma visão diferenciada sobre os acontecimentos, sejam eles banais ou não, de nossa sociedade, esta é uma obra muito interessante, aquele tipo de livro que devemos degustar dia após dia, descobrindo sempre uma nova crônica que será capaz de nos fazer refletir sobre as coisas cotidianas. Repleto de suspense, comédia, amizade e alegrias, as histórias de Arnaldo Bloch mostram o Rio de Janeiro para os não cariocas, a Alemanha para os não alemães, o Judaísmo para os não judaicos e (por que não?) as crônicas para aqueles que não as conhecem tão bem. Misturando o cotidiano com suas memórias, o autor te prende a cada linha e no final de cada página você pensa: “Pô,esse Arnaldo é muito bom!”. É simplesmente impossível não rir com a verdade em “Disque TPM para Matar” onde nós mulheres somos literalmente invadidas e nosso maior segredo (que é por a culpa de tudo o que acontece na dita cuja TPM) é revelado. Ou em “BBB na Veia” onde até o mais forte dos cavaleiros pode sucumbir e eliminar alguém no paredão. Nem mesmo o Orkut escapa das garras do Arnaldo em “Orkut na Reta” (pode inserir uma piadinha infame aqui) fazendo uma análise muito bem humorada da coqueluche dos brasileiros que tanto o acessam. Certamente que nem só as crônicas sobre o cotidiano vão te prender ao livro, as ótimas: “O Porteiro lá de casa”, “O Judeu Alvinegro” e “Mãos de Pai”, emocionantes e sinceras fornecendo o contraponto necessário para tornar o livro uma ótima oportunidade para aqueles que, não tem muito acesso à sua coluna no segundo caderno do jornal ao Globo, ou que simplesmente tinha a convicção preconceituosa de que os bons cronistas brasileiros eram apenas o Rubem Braga e o Luís Fernando Veríssimo,(que por sinal,eu sou super fã). Em síntese, é como diz o Eugênio Bucci na contracapa: “Entre o jornalismo e a literatura, Arnaldo Bloch fica com os dois”- Oferecendo aos amantes da boa literatura, um prato cheio de boas histórias – e a Maria Bethânia na capa: “Adoro te ler, rapaz encantado” – Digo a mesmo, Bethânia. Digo o mesmo.

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