Reverie #12 : Baile de máscaras

quarta-feira, fevereiro 22, 2012






















Dia um pouco branco com tom cinza e atrás de mim havia uma janela aberta. As coisas estavam escancaradas mesmo e pensei em possibilidades. Comecei a ouvir Katy Perry e repetidas vezes foi que a música que tocou foi Teenage Dream - Sonho de Adolescente. Comecei a pensar e pensar até que cheguei à conclusão que muitos que fazem parte do meu ciclo de amigos vivem em constante baile de máscaras. Que muitos que eu vejo passar por mim, estão se escondendo atrás de fantasias e que eu mesmo tenho brincado incessantemente de baile de carnaval a moda antiga.

A parte mais interessante a meu ver da música é a primeira frase que diz você me acha bonita sem maquiagem. Olha que maravilha. É uma certeza que poucos conseguem acreditar e ver. Precisamos nos enfeitar demais para que as imperfeições do tempo sejam notadas. Claro que uma corzinha aqui e outra ali não faz mal a ninguém, mas viver em função de esconder os sinais naturais de nós mesmo é uma fantasia que só retarda quem realmente somos. O mundo de aparência é um engano que uma hora ou outra tudo se é desmascarado. E nessas horas, é bom não ser famoso e conhecido como a “pessoa mais linda do mundo” e sim por ser a “pessoa mais humana do mundo”.

Tabloides e paparazzis estão sempre em busca de uma novidade das altas celebridades e num momento acabam descobrindo as rugas escondidas, as marcas mascaradas e toda nossa mentira, é tornada fardo. Meninas não assumem as cicatrizes de quem viveu e rapazes se escondem dos sinais de expressões que o tempo lhe rende. Minha geração está se acostumando por uma vida de photoshop e o onde será que irão se esconder as futuras gerações, já que tudo está em constante evolução. Sou a favor de maquiagem para quando se tem que usar: depois de uma noite sofrida é uma ótima pedida. Ou por uma acne indesejada para quando a gente tinha que estar lindos para derrubar nossos inimigos, mas que nunca em hipótese alguma isso fosse uma maneira de esconderijo eterno. Estamos criando um mundo cheio de pessoas com caras e corpos de bonecas quando na vida real eram para se ter rosto e postura de seres humanos convictos que o tempo passa e nada se mantém em pé para sempre. Cabelos brancos vão aparecer, alguns peitos femininos vão cair. O que dizer das rugas? Uma praga que faz de nosso rosto intacto um holocausto.

Posso estar equivocado, mas em minha opinião a vida devia ser assim: longe de bailes de máscaras. Pouca maquiagem e mais seres humanos convictos que o tempo nos suaviza as expressões. Dá sentido ao que somos e nos torna histórias reais. Não somos novela e nem seriado de televisão. Somos música velha e poesia arranhada. Uma crônica do mundo, eu diria. Somos mais que as aparências podem demonstrar, mas nos transformamos naquilo que nós mesmos pintamos. E como já ouvi por aí, na literatura da escritora Fernanda Mello, adeus sonhos de adolescentes, aprendi que tive que crescer e tudo que fui apenas será somado no meu livro de vida. E regressando a Katy Perry, encerrar um ciclo é compreender que a coisa ficou pesada, você me trouxe a vida. E o tempo nos trouxe metáforas de sabedoria e elegância naturalmente humana.

Kleberson M.


Sobre o autor:
Kleberson M. (Kleberson Marcondes) é de Pindamonhangaba/SP, nascido em 1989. Estudante Técnico Jurídico no Centro Paula Souza. Amante de Nietzsche e apaixonado por F. Scott Fitzgerald, carrega ainda uma paixão avassaladora por Nirvana, Pitty, Cazuza e Janis Joplin. Sonhador convicto encontra no ofício de escrever, uma válvula de escape para expressar aos poucos como enxerga o mundo, as pessoas, os detalhes. Encontra nas crônicas o evangelho do ser humano contemporâneo, nos contos a fantasia que as pessoas esqueceram e na poesia, notas e partituras, o meio da existência. Filho do mundo, poeta dos incoerentes e observador dos devaneios, já que isso é onde todos se encontram.





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Bjs!!!

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4 comentários

  1. Oie, 
    Como sempre um arraso de texto que nos faz parar e refleti.
    Realmente estamos nessa triste realidade em um baile de mascaras, que por muitas vezes descobrimos essas mascaras já tarde demais, eu acredito que devemos tirar as mascaras e ser felizes, que se use um pouco de cor mas que sejamos nos.
    Parabéns pelo lindo texto.
    Beijos

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  2. Eu nunca gostei de mulher com maquiagem. Só um batonzinho, como faz minha mulher, já está ótimo. 
    Muito bom o texto, tanto pela mensagem explícita quanto pela implícita. Parabéns!
    Abs.

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  3. Olá! Sábio texto. Na sociedade atual é impressionante como as pessoas valorizam a artificialidade em todos os aspectos. Só consigo casar a ideia de felicidade completa com naturalidade, a vida sem máscaras ou padrões. Um abraço!

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  4. Ótimo texto. Parabéns, Kleberson. Realmente muitas vezes acabamos nos escondendo atrás de meras aparências, deixando de ser aqui que realmente somos para sermos aquilo que os outros querem.

    Mateus Noremberg - Livros Preciosos

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