Tudo porque crescemos

quarta-feira, fevereiro 15, 2012



Todo dia, acordar cedo. Tendo ou não o que fazer; trabalhar, estudar, limpar a casa e tudo aquilo que o homem precisa fazer, para atestar que está vivo. Crescemos e assumimos responsabilidades e nos tornamos longe de nossas purezas, inocências, pois simplesmente, isso não é mais enxergado, encarado como também, parte nossa. Temos nos tornado cada vez mais adultos e deixamos de lado, nossa criancice, ou o que chamaria os poetas, cronistas e juventude transviada, de porra-louquice.


Temos vinte e quatro horas por dia para satisfazer um ego, um ser, uma vida de gente grande. Parece que não podemos mais brincar com a vida. É isso: a vida passa a ter denotação séria e qualquer sonho pode nos tornar patéticos, pois simplesmente, não temos mais direito de imaginar, pintar o sete. Estamos nos tornando branco e preto, com escalas cinza e cheias de tempestades, hora ou outra cheia de trovoadas, mas sem nunca encontrar o sol, o cheio de mato, a consistência do barro.

Seremos aplaudidos pelo que fizemos e não teremos um abraço amigo caso não fizermos certo alguma coisa na vida. Tudo virou comércio e só temos direito a um sorriso, se fizermos por merecer. Adultos acham desnecessários os sorrisos, os aplausos, a admiração por alguma coisa que não lhe é dedicada.

Nossa delicadeza é vista como que se não tivéssemos aprendido a crescer. Lotar consultórios terapêuticos é a única saída para mim, você e eles que sonham demais, esperamos demais... Passamos a faze que imaginação era necessária, agora temos que engolir os contratos, as contas, os desaforos. Sem o colo de mão no final do dia, nos contentamos com a dor de cabeça quase que diária em cima de um travesseiro. Salvo a quem se casar, poderá dividir o dia com um marido ou sua esposa, mas sem esperar por muitas palavras doces, pois tudo é tratado cientifico. Não temos mais o conto ao terminar a noite e a luz só se apaga se levantarmos da cama. Se o cobertor cair, passamos frio se não esticarmos os braços para fora da cama. É que agora, tomamos o habito de trancar as portas.

Brincar está proibido. Deixamos os filhos na escola, mal tomamos um café decente, encaramos o mundo, senão ele nos derruba. Antes, ao cair, alguém ria e a gente chorava de vergonha. Agora, cair é sentença. Somos obrigados a mantermos de pé, mesmo quando o chão nos é a única saída, senão, pisarão em cima de nós e tudo que conquistamos. Lembra? Tudo virou comercio. Estamos nos vendendo aos poucos, porque antes a gente se trocava, mas ao terminar o dia, éramos devolvidos a nós. Hoje somos dados sem receber nada em troca. Reservaram-nos os momentos das trocas, mas nunca mais somos devolvidos e a gente se perde e é esquecido num estoque qualquer; num escritório qualquer; atrás de um balcão qualquer...

Como diria Martha Medeiros: “Todo resto é tudo que ninguém aplaude e ninguém vaia, porque ninguém vê.” E assim, vamos vivendo, o que era para ser cada coisa de uma vez trocou e passou a viver tudo de uma só vez, engolindo a força nos estranhezas e calando a boca, se é que temos um pouco de sanidade. Tudo porque crescemos.


Kleberson M.

Sobre o autor:

Kleberson M. (Kleberson Marcondes) é de Pindamonhangaba/SP, nascido em 1989. Estudante Técnico Jurídico no Centro Paula Souza. Amante de Nietzsche e apaixonado por F. Scott Fitzgerald, carrega ainda uma paixão avassaladora por Nirvana, Pitty, Cazuza e Janis Joplin. Sonhador convicto encontra no ofício de escrever, uma válvula de escape para expressar aos poucos como enxerga o mundo, as pessoas, os detalhes. Encontra nas crônicas o evangelho do ser humano contemporâneo, nos contos a fantasia que as pessoas esqueceram e na poesia, notas e partituras, o meio da existência. Filho do mundo, poeta dos incoerentes e observador dos devaneios, já que isso é onde todos se encontram.





Vocês querem conhecer mais sobre o autor.
Visitem seu blog: Kleberson M. ou adicione ele no twitter: @klebersonm__

Gostaram,pessoal!

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Bjs!!!

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25 comentários

  1. Adorei! É por ai mesmo... Pura verdade! Eu espero continuar lutando contra me tornar totalmente adulta! Conservo meu lado criança e pretendo morrer com ele com mais de 80 anos! Meu filho que só tem 4 anos e tachado de infantil pela fonoaudióloga dele! Fico puta! A sociedade só quer saber de cobranças, responsabilidades... Esquecem que é possível tudo conviver em harmonia com um lado infantil absolutamente saudável! Adorei o texto!

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  2.  Olá zilda...

    Tenho a dizer que os textos do Kleberson já me conquistaram. Acho muito
    legal quando não se tem dificuldade para expressar o eu lírico da nossa
    alma. E é confortante saber que todos nós passamos pelas mesmas coisas
    no cotidiano, no meio da correira que toma de nós a essência da vida. O
    que é uma pena, uma lástima.



    Beijos flor! Bom dia para vc!!!!!!

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  3. Excelente texto. Mutas vezes me pego pensando nisso. Às vezes são cobranças sem sentido que, quando vemos não sabemos nem porque agimos daquela maneira. Dá o que pensar. Gostei bastante do estilo do autor.

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  4. Uau, que excelente texto. Faz pensar, e muito. Atualmente o que mais vejo são crianças, pré adolescentes, agindo como se fossem adultos, com crises de adultos, com sofrimentos de adultos, reclamando da vida e fazendo um drama terrível de tudo. Penso comigo mesmo que serão adultos sofríveis. Se ainda têm 12, 13 anos e não conseguem ver que vivemos uma etapa da vida de cada vez, o que farão quando chegarem aos 35, com família para cuidar, trabalho para levar, contas para pagar, seus próprios filhos para criticar?

    Bem, mas o texto me tocou profundamente porque eu sou uma "criança grande". Eu não cresci definitivamente, eu sempre mantenho minha infantilidade, meu lado de brincar, e nem todo mundo aceita bem isso. Vivo sendo rotulada, e sempre saio com a desculpa de "sou sagitariana, o que você queria?". Não mudo - a vida não é feita somente de grandes realizações e grandes responsabilidades, a vida é feita de grandes alegrias, grandes momentos, grandes decepções, e tudo mais que ela pode nos oferecer. Deixar de ser feliz, de brincar, de ser criança, para mim, é a morte de meio eu.

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  5. O texto é maravilhoso me fez pensar e me mostra do que eu quero fugir, adorei, lindo demais (:

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  6. OI!
    Adorei o texto de hj, me fez muito refletir, muito bom!
    Nossa, eu adoro as frases de Martha Medeiros!!
    Bjinhs
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com

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  7. Olá Zilda, achei interessante o texto.
    Mas dentro da gente ainda tem muitas coisa que o outro exerga.
    O que mata é o egoísmo né?

    Beijo linda, gostei daqui.

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  8. Texto lindo e reflexivo!! 
    Parabéns pro  Kleberson M, que mais uma vez escreve algo para nos alertar e pensar.

    Laís
    @ livroeleitor

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  9. bela crônica, mas um pouco pessimista (rss). A criança que existe dentro de nós está sempre a se mostrar e não podemos calá-la. A vida não precisa ser vista em preto e branco, basta mudar o foco. E as atitudes. Há quem a ame com a espontaneidade das crianças. E há quem a veja como um campo de batalha. A escolha é sempre nossa.
    Bjs.

    (Fiquei feliz com a visita. Mais uma oportunidade para conhecer outro rico espaço.)

    Bjs.

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  10. Vim agradecer a visita e o comentário tão gentil. Obrigada!
    Adorei seu espaço, vou levar para o meu cantinho, trabalhos como o se devem ser espalhados para todos os lados. Muito bom e excelente idéia o selinho para valorizar mais os escritores nacionais.

    O texto é ótimo, mas tenho que dizer que tenho uma criança eterna dentro de mim! Ora criança criança, ora tendo um olhar de criança em um corpo adulto, porque às vezes é tão melhor enxergar feito criança! Se tiver um tempinho, vejo minha postagem de hoje. Esse é praticamente o tema!

    Beijinhos.
    Su.

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  11. Oi, Zilda! Estou retribuindo sua visita ao meu espaço, quanta coisa tem aqui no seu blog! Gostei muito do texto escolhido. Um abraço!

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  12. Maria Paraguassu Rodrigues15 de fevereiro de 2012 14:13

    Olá Zilda,
    Estou retribuindo sua visita ao meu blog. Sua postagem é interessantíssima, pois quando crescemos tornamo-nos uma figura componente de uma história, tal qual fôssemos partes de um quebra-cabeças. A partir de então, precisamos enquadrar-nos na conjuntura social na qual convivemos. Se isso não acontece, vivemos como
    párias num mundo meio louco e  esquizofrênico.
    Há alguns dias, nasceu meu novo filhote: o RECANTO DA POESIA. Convido-a a conhecê-lo e terei muito prazer e honra se fores visitá-lo. Espero que gostes.
    Beijos, amiga.
    Maria Paraguassu.

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  13. Oi Zilda!
       Boa tarde!
         Vim agradecer a visita e conhecer o seu espaço.Gostei muito´do que encontrei aqui.
          Sobre o texto,gostei também mas não concordo com algumas ideias...tenho 7.3,sou aposentada e me considero criança de alma...conheço várias pessoas na mesma situação e com a mesma alegria de viver.Sei que o mundo massacra muitos seres humanos,mas não podemos nos deixar engolir por esta onda gigante de robotização que assola os indivíduos,principalmente nas grandes metrópolis.
         Obrigada pela partilha,é sempre bom conhecer novos autores.
            Bjsssssss,
                       Leninha

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  14. Olá, adorei a sua visita e seu comentário em meu cantinho e aqui vim retribuir, mas já estava te seguindo a algum tempo. Sobre o texto é tudo a mais pura verdade. Somos crianças, depois nos tornamos adultos e na terceira idade se vê que se perdeu a juventude então queremos voltar a ser criança pois vida de adulto é uma chatice. As responsabilidades roubam nosso tempo, nossa alegria e ficamos sisudos e sérios demais pois deixamos de relaxar. Minha filha vive dizendo: vc não tem tempo pra mim, vive fazendo serviço, a mesma coisa todos os dias, vive séria, vem brincar comigo. De certo que até brinco, algumas vezes mas o que ela focou que vivo a fazer alguma coisas e pouco sorrio. Crianças observam e sabem das coisas, pena que queremos sempre ensiná-las e não aprender com elas, se parássemos para observá-las teríamos muito que aprender. Bjim e obrigada por sua visita.

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  15. Bem, pode até ser que crescemos fisicamente, mas espiritualmente o nosso ego ficou a desejar quando nos deixamos robotizar pelos compromissos! Há sempre um tempo para cada coisa...

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  16. Olá Zilda, vim retribuir a tua vista e o comentário. Muito obrigado!
    Também adorei seu blog, e estou seguindo.

    Paz e bem!!!

    www.lleandroaugustto.blogspot.com

    www.eu-e-o-tempo.blogspot.com

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  17. Zilda,uma msg muito interessante!A vida de gente grande é mesmo sem graça,se pensarmos bem!Bom mesmo é poder ser criança!Adorei esse texto!Bjs,

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  18. Obrigada! Também gostei do seu blog :)

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  19. Good!

    Beijosmacaaverdee.blogspot.com

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  20. O link saiu errado, é:


    macaaverdee.blogspot.com

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  21. Muito forte!!! palavras um pouco pessimistas, claro que existe, mais não em todo lugar, sempre existe uma excessão!!

    beijoss
    http://dailyofbooks.blogspot.com/

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  22. Esse cara é um gênio! Amei :)

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  23. Mais um belo texto de um excelente autor.

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  24. Que texto lindo e interessante! E realmente, crescemos, nossas responsabilidades aumentam, deixamos de dar atenção a pequenas coisas que também são importantes.. difícil mas é a vida!

    Parabéns ao autor, amei!
    beijos, Camila
    http://www.coffeplusbooks.blogspot.com

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  25. Oi, Zilda! Estou retribuindo sua visita ao meu espaço, quanta coisa tem aqui no seu blog! Gostei muito do texto escolhido. Um abraço!

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