|Resenha| A Grande Ilusão - Sidney Nicéas

sábado, novembro 17, 2012


Uma adolescente. Um padre. Uma confissão. Uma história inacreditável para os ouvidos de uma garota. Um inesperado desfecho para um padre temente. Com uma narrativa sagaz e repleta de sensualidade, Sidney Nicéas vai fundo na alma de um padre atormentado pela sua prórpia natureza sexual, frente a frente com uma adolescente virgem decidida a tê-lo como "o primeiro" da sua vida. Existe homem santo? Surpreenda-se com "A Grande Ilusão"... 


Tantas histórias já tiveram como pano de fundo a corrupção clerical e a inversão dos valores praticados por integrantes da igreja independentemente, de qual religião estejamos falando. A primeira sensação que tive ao ler o primeiro capítulo de A Grande Ilusão foi relembrar um dos clássicos da literatura universal: O crime do Padre Amaro de Eça de Queiroz, romance pelo qual tenho imenso apreço. Imediatamente, pude notar que as semelhanças eram pouquíssimas.

Dentre elas temos a figura de um padre que se vê encurralado pelas investidas de uma bela virgem. Assim como na história de Padre Amaro e Amélia, em A grande Ilusão conhecemos a história de padre Hortêncio Severones e a bela Samara. Porém, em A grande Ilusão o foco narrativo é outro. A narrativa explora os conflitos e as inseguranças enfrentadas pelo padre.

Sidney Nicéas cria de maneira surpreendente uma história onde as verdades absolutas, os dogmas cultivados pela igreja católica são expostos de forma direta, sem rodeios. A narrativa possui veracidade apesar de se tratar de uma história ficcional. É possível que o leitor se envolva diretamente com cada fato narrado pelo padre. Tudo se dá através de uma confissão de Padre Hortêncio a jovem Samara.

Durante 114 páginas, o leitor é convidado a refletir sobre assuntos polêmicos como sexo, celibato, corrupção e tantos outros assuntos inerentes à igreja. A santidade questionada por fiéis e pelos próprios representantes da igreja é abordada com muita clareza e questiona o leitor a todo o momento como idealizamos a santidade desses representantes.
Existe homem santo? Que espécie de verdade é essa que preservamos e construímos ao longo dos tempos?  Padre Hortêncio é a figura simbólica dessa contradição.  A narrativa é curta e impactante. Com um final surpreendente, Sidney Nicéas nos contempla com uma história cheia de verdades, não absolutas, e sim questionadoras.

A Grande Ilusão é uma obra que disseca o lado oculto do ser humano, no caso representado por padre Hortêncio. Temos uma ideia do que deveríamos ser e como a sociedade espera que sejamos. Por esse véu de mentiras e aparências, o ser humano vai omitindo a sua verdadeira identidade. Os vícios a qual somos reféns originam normalmente da nossa negligência de aceitar como realmente somos.

Sidney Nicéas narra detalhadamente os conflitos vivenciados por padre Hortêncio durante toda sua vida dedicada à igreja. A maneira como o autor expõe a fragilidade do personagem é um dos pontos mais brilhantes de toda a narrativa. A leitura é fácil e muito rápida. Os personagens são bem construídos e a narrativa é bem desenvolvida. O livro possui uma linda diagramação. Em todas as páginas encontramos ilustrações no início e no final de cada página. A ilustração da capa condiz perfeitamente com o conteúdo narrado. A editora Giostri está de parabéns pela revisão e por todo o trabalho gráfico.

Recomendo a leitura a todos que gostam de uma boa história que reúne conflitos, questionamentos e que leva o leitor a refletir sobre as verdades absolutas impostas pela sociedade. 


FICHA TÉCNICA
A Grande Ilusão
Autor: Sidney Nicéas
Editora: Giostri
Páginas: 114
ISBN: 9788581081212
Onde comprar: Livraria Cultura

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17 comentários

  1. Me sinto profundamente ofendida por alguém ter cogitado escrever um livro como esse. Ofende minha fé, pois faço parte da Igreja Católica Apostólica Romana. Primeiramente, seja qual for sua fé, a respeito. Só gostaria de fazer dar uma resposta, pois acho que não entendeste direito do que a fé católica se trata. Quando você fala santidade, eu percebo que retratas como se todos os padres fossem santos. É uma opinião equivocada, e só assistindo a Homilia para perceber. Eles sempre falam na segunda pessoa do plural: nós. Eles são pessoas escolhidas por Deus para pregar o que Ele tem para nos dizer, e sabem que são tão pecadores quanto nós mesmos, os fiéis. Fiquei muito chateada com alguém ridicularizando minha fé. Não que você tenha o feito, mas o autor do livro sim. Acho que para falar sobre algo, primeiramente você tem que conhecer, e ele definitivamente não conhece os padres da Igreja Católica. Não acho que o celibato de um padre ou sua 'santidade' seja uma verdade absoluta imposta pela sociedade. É um assunto bastante extenso para que eu prolongue agora, mas todos estamos EM BUSCA da santidade, e algumas pessoas por seu exemplo de vida santa são chamadas Beatos ou Santos pela Igreja Católica, com muito caminho pela frente. Para ser um Santo propriamente dito, é necessário que seja conseguido um milagre sem explicação científica. Digo isso só para que se tenha uma breve impressão. Não posso lhe julgar, só achei justo falar isso porque devo comentar o que penso e minhas impressões sobre o livro à partir de sua resenha. Espero que compreenda.
    Clara

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  2. Oi,Clara!
    Entendo perfeitamente sua colocação e a respeito. É importante frisar que em momento algum generalizei e quis dizer que todo representante da igreja católica tenha certo desvio de conduta. No prefácio do livro, o autor deixa bem claro que apesar de se tratar de uma história ficcional, ele teve a colaboração de pessoas que fazem parte da igreja para compor a história. Não tive a intenção de feri-la com minhas palavras, muito menos duvidar da sua fé. A Grande Ilusão é um livro que não tem a intenção de denegrir a instituição católica e sim de expor a condição humana, os conflitos de um padre que antes de mais nada é um homem. Que peca como todo ser humano. E acima de tudo, a obra desmistifica que um homem por ser padre seja santo. é mais ou menos isso. Espero que tenha compreendido a minha colocação assim como respeito a sua. 
    Obrigada pela visita!

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  3. Zildinhaaaaaaaa, minha linda, saudades daqui! Bem, nem preciso te dizer que amando assuntos polêmicos do jeito que eu amo fiquei roxa de vontade de ler esse livro, né?! rsrsrs Já anotei aqui pra comprar, logo. :) Se for ter sorteio dele me avise, tá?! Bem, não li o livro então vou palpitar em cima do que vc falou e do que sabemos por aí sobre padres e igreja católica... vergonha pra mim é padre comer criancinhas, isso sim é vergonhoso. Agora, padres sentirem desejos e muitas vezes descobrirem que não conseguirão ir adiante com essa palhaçada de celibato pra mim é ser apenas humano. Não entendo padres não poderem constituir famílias e ainda assim fazerem casamentos falando do amor entre um homem e uma mulher sem nunca terem vivido isso, enfim, deixa eu calar a minha boca. :)

    Beijo, beijoooooooo, mais uma bela resenha querida, parabéns!
    She

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  4. Prezada Clara, esse é o risco que o autor sofre quando escreve sobre um tema difícil... Faz parte. Sugiro, apenas, que você leia a obra antes de criticá-la (a história é, sim, inspirada na realidade, já que entrevistei um padre e outros membros da igreja para compor o enredo). Deixo-te o meu fraterno abraço e uma frase que fecha o livro, para reflexão de todos nós: “Santidade não é um luxo para poucos (...)Ela diz respeito a mim e a você (...) porque se aprendemos a amar, aprendemos a ser santos”.(Madre
    Teresa de Calcutá)

    ;)

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  5. Querido Sidney, parabéns por seu trabalho, seu livro entrou para a minha lista de prioridades! Sucesso! Abraços!

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  6. Cara Zilda, fico feliz que tenhas compreendido a obra em sua essência. A compreensão equivocada da "santidade" é algo muito presente na cultura humana, assim como a confusa mistura entre fé e religiosidade. A condição humana transcende os rótulos institucionais das religiões. Não há verdades absolutas. E, enquanto escritor, jamais deixarei de revelar os dramas humanos por conta de rótulos, sejam religiosos, sociais, partidários etc. Espero que as pessoas leiam e encontrem dignidade em minhas palavras. Estou a disposição - sua e do Blog... Fraterno abraço!  ;)

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  7. Cara Zilda, fico feliz que tenhas compreendido a obra em sua essência. A compreensão equivocada da "santidade" é algo muito presente na cultura humana, assim como a confusa mistura entre fé e religiosidade. A condição humana transcende os rótulos institucionais das religiões. Não há verdades absolutas. E, enquanto escritor, jamais deixarei de revelar os dramas humanos por conta de rótulos, sejam religiosos, sociais, partidários etc. Espero que as pessoas leiam e encontrem dignidade em minhas palavras. Estou a disposição - sua e do Blog... Fraterno abraço!  ;) Sidney Nicéas

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  8. Obrigado She. Estou a disposição. Fraterno abraço!  ;)

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  9. Obrigado She. Estou a disposição. Fraterno abraço!  ;)

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  10. Gostei da resenha e da história do livro tbm.
    Confesso que fiquei com uma super vontade de ler o livro.
    Bjos...

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  11. Livro à venda nas Livrarias Cultura de todo país: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?sid=898116785141117698131691846&nitem=30232247

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  12. Oi amiga!
    Eu não conhecia este livro, parece ser interessante, mas essa temática não é bem o tipo que me interessa!!

    Bjinhs*
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com

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  13. Eu achei a premissa do livro interessante. Eu não tenho religião, mas eu sempre procuro ver as coisas de mente aberta, mesmo que seja algo que vá contra o que eu acredito. Espero ter a oportunidade de ler o livro em breve. 

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  14. Oi Flor,
    Novidade essa, pois eu ainda não li nada semelhante a um enredo desse e se você gostou deve ser bom mesmo. Fiquei curiosa pela leitura. Parabéns pela excelente resenha.

    Beijokas elis

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  15. Achei o livro bastante interessante e polemico. Mas não faz meu estilo. 

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  16. O livro só tem 114 páginas??? Pequeno e com uma história bem interessante!!!

    E bem anotei o nome para o fim do ano e início do próximo!!! rs

    Bjinhus, Sa (MUNDO-SA)

    PS: Cara deu show na construção da resenha! Ficou muito boa mesmo!!! Parabéns

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  17. Uau!!!! Quero muito ler esse livro... Não sabia da existência dele, e agora que eu sei eu realmente quero ler. Adoro histórias com padre... rs

    Ótima resenha.

    Bjs
    Niii
    http://amordelivros.blogspot.com.br/

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