|Resenha| Quando tudo volta - John Corey Whaley @Novo_Conceito

quarta-feira, abril 16, 2014



Uma morte por overdose. Um fanático estudioso da Bíblia. Um pássaro lendário. Pesadelos com zumbis. Coisas tão diferentes podem habitar a vida de uma única pessoa? Cullen Witter leva uma vida sem graça. Trabalha em uma lanchonete, tenta compreender as garotas e não é lá muito sociável.
Seu irmão, Gabriel, de 15 anos, costuma ser o centro das atenções por onde passa. Mas Cullen não tem ciúmes dele. Na verdade, ele é o seu maior admirador. O desaparecimento (ou fuga?) de Gabriel fica em segundo plano diante da nova mania da cidade: o pica-pau Lázaro, que todos pensavam estar extinto e que resolveu, aparentemente, ressuscitar por aquelas bandas. Em meio a uma cidade eufórica por causa de um pássaro que talvez nem exista de verdade, Cullen sofre com a falta do irmão e deseja, mais que tudo, que os seus sonhos se tornem realidade. E bem rápido.


Status: temporariamente confusa. 
Algoz: John Corey Whaley. 
Motivo: o autor é um ser estranho. 
John Corey escreveu um livro esquisito, porém atraente em determinados momentos. Reuniu vários elementos que não possuem nada em comum e optou por escrever uma narrativa estranhamente louca. Esquisita. Eu sei que já disse isso anteriormente. É que na verdade ainda estou tentando compreendê-lo. Acho que até o final desta resenha eu consiga colocar minhas ideias em ordem. Mas que o livro é bem doido,ah...isso ele é!

O que zumbis. Um fanático religioso, um pica-pau e um jovem de 17 anos têm em comum? Provavelmente vocês diriam: nada. Mas não se deixem enganar. John Corey Whaley conseguiu reunir três elementos tão distintos para compor a sua história. Na verdade, eles têm muito mais em comum do que vocês possam imaginar. E isso só se torna possível graças à mente engenhosa do autor.

John decide escrever um livro que tem como premissa o surgimento de um pássaro, mais precisamente um pica-pau, uma espécie de ave que foi vista pela última vez a mais ou menos sessenta anos atrás. Lázaro, o pica-pau aparentemente foi visto por John Barling alçando voos na pequena cidade de Lily, Arkansas. Um lugar inóspito, que nada acontece. Os moradores da cidade já estão acostumados com a vidinha da cidade e o “surgimento” de Lázaro vai causar um alvoroço na cidade. Lily passa a receber frequentes visitas de vários veículos de comunicação e seus moradores passam a viver em função do maldito pássaro. Mas ninguém nunca o viu? Será que ele realmente existe? Isso não importa. Lázaro é somente um assunto irrelevante para servir de base para o desenvolvimento da narrativa de John Carey.

Em contrapartida a vida de Cullen Whitter e de toda sua família é afetada pelo desaparecimento repentino de Gabriel, seu irmão mais novo.
Cullen e Gabriel são pessoas completamente diferentes. Gabriel passa horas lendo livros, buscando novos sons, descobrindo novas bandas. Enquanto Cullen só quer se divertir com seu amigo Lucas Cader. 
Cullen tem uma mania um tanto curiosa. Ele coleciona títulos de seus futuros livros. Atualmente está no 72º, porém nenhum deles ainda tenha sido escrito, tais como: “O buraco negro de Arkansas”, “5h da manhã é para amantes e enfeites de jardim”, “Jantar dos zumbis” etc. Por mais que os títulos em determinado momento da leitura pareçam não fazer sentido, basta o leitor prestar bastante atenção aos sinais que o próprio personagem vai deixando ao longo da história. Esses títulos na verdade possuem alguma correlação com o cotidiano de Cullen. Durante a leitura achei essa “mania” um tanto esquisita, mas com o tempo fui captando a intenção do autor com tais referências. Cullen dá nomes estranhos a esses livros e isso faz com que ele seja um personagem ainda mais esquisito, inteligente e complexo.

Assim como Cullen todos os jovens que residem em Lily não criam expectativas em relação a seu futuro. Os jovens acreditam que ao terminarem o ensino médio cada um seguirá seu caminho, irão a faculdade, um ou outro conseguirá se destacar, mas no final todos retornarão a cidade natal. É uma visão pessimista, mas esta é a única que eles estão acostumados. 

O sumiço de Gabriel, irmão de Cullen é um dos temas centrais da narrativa. O jovem some inexplicavelmente e ninguém tem a menor ideia do que possa ter acontecido a ele já que Gabriel era um rapaz de 15 anos aparentemente feliz. O desaparecimento de Gabriel não recebe a devida importância graças ao suposto aparecimento do pássaro. Agora, Cullen terá que aprender a conviver com a ausência do irmão ainda que seja doloroso. Mas tal tarefa será ainda mais penosa porque Cullen não suporta a ideia de que um pássaro que nunca fora visto na verdade por ninguém tenha mais importância do que o sumiço de seu irmão.

Até determinado momento a narrativa transcorre bem, mas infelizmente o autor vacila em certos momentos. Ele me deixou confusa por diversos momentos ao longo da narrativa. Não me recordo de nenhum livro que tenha me deixado tão desconcertada no sentido literal da palavra. Quando iniciei a leitura do livro tracei uma linha de raciocínio muito diferente que o autor propusera. Acredito que um dos fatores para tal desconforto foi a utilização de diversas histórias paralelas na narrativa.

Cullen é um personagem até certo ponto carismático. Mas em determinado momento ele torna-se um ser estranho. Enigmático, às vezes mórbido. Lucas Cader, seu melhor amigo é um dos personagens mais interessantes da história. É ele a figura responsável por manter Cullen digamos, dentro da normalidade. É como se Lucas fosse um irmão postiço de Cullen. Sempre atento às necessidades do amigo.

Apesar de Gabriel ser um dos “focos” da narrativa sua participação só se torna relevante e expressiva praticamente no final do livro quando tomamos conhecimentos dos motivos de seu sumiço. Outras histórias como a do fanático Cabot Searcy faz com que a narrativa de John seja tão surreal. Os capítulos que narram a história de Cabot são os melhores, os mais ávidos e tenebrosos. Gostei muito desse personagem. A loucura, seu desequilíbrio psicológico tornam a narrativa crível, intensa e isso faz com que o livro de John seja tão diferente.
Alma Ember, a garota pelo qual Cullen é "apaixonado" é outro personagem que ganha força ao longo da narrativa, ou seja, todos os personagens estão de alguma maneira interligados. Somente no final do livro é que conseguiremos tomar conhecimento de alguns pontos importantes. O engraçado é que às vezes até nos esquecemos do pássaro, pois ele serve apenas como pano de fundo para a história.

Fiquei imaginando o motivo pelo qual o autor tenha escolhido um fato “real” tão irrelevante para construir sua narrativa e cheguei a conclusão que John Corey Whaley é apenas um gênio em fase de amadurecimento que ainda não encontrou um ponto de equilíbrio. Porque por mais que sua narrativa seja estranhamente louca não podemos negar sua genialidade, seu talento com as palavras. 

Se tivesse que definir o livro em uma única palavra eu diria que ele é: perturbador. Os motivos pelo qual decidi concluir a leitura me levam a crer que essa era a intenção do autor. Fazer com que ficássemos confusos, perplexos. Que déssemos a ele a chance de provar que sua história tinha algo a dizer. Eu tentei captar a mensagem do autor nas entrelinhas porque é nelas que a história do autor se sustenta. 

Quando tudo volta é um livro que fala sobre como ser normal num mundo de tantas anormalidades. Um livro sobre escolhas e consequências; que discute sobre temas sérios como, por exemplo, o fanatismo religioso. Cullen, Lucas, Gabriel, Alma Ember, Cabot, todos vivem conflitos internos e tentam manter seus “monstros” dominados. Quando tudo volta é um livro que envolve tantos assuntos importantes que acredito que o autor poderia escrevê-los separadamente. A morte se faz presente a todo o momento por meio de uma overdose ou um suicídio. Em contrapartida criamos expectativas positivas em relação ao destino dos personagens.

O livro não prende a atenção inicialmente, mas ao longo da narrativa fui me identificando com alguns personagens. O final da história é legal, porém ambíguo. Assim como no início da leitura, o livro termina com um final sombrio. Enigmático, talvez. O livro divide opiniões e  cada qual irá se posicionar de uma maneira diferente. John Corey é capaz de despertar diferentes sentimentos no leitor e, isso que é o grande barato da coisa. Gosto de encontrar gente esquisita, que faz a gente sair da zona de conforto, que escreve coisas estranhas e desconfortáveis. Acho que é isso.
Recomendo que você leia o livro com atenção para que possa compreendê-lo melhor. Se você conseguir captar a mensagem do livro possivelmente ele se tornará um dos seus queridinhos.



FICHA TÉCNICA Título: Quando Tudo Volta 
Autor: John Corey Whaley
Editora: Novo Conceito
Número de Páginas: 224
Skoob


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8 comentários

  1. Oi Zilda, eu to achando o livro meio esquisito também, ao contrário de vc, gostei muito do inicio do livro e quando foi aparecendo outros personagens, foi ai que comecei a ficar confusa..
    Lendo sua resenha até me deu um gás para terminar o livro..

    beijos Mila
    http://dailyofbooks.blogspot.com.br/

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  2. Oie!!! Gostei da sua resenha. Aliás tivemos opiniões bem parecidas em algumas coisas.
    O livro é sim um pouco confuso, mas a vida da gente também é, ou não?
    Achei ele muito nós mesmos, e por isso gostei.

    Resenha lindaaaaaa!!!! Adorei e entendi seu status, rsrsrs.


    Bjkasssssss


    Lelê - http://topensandoemler.blogspot.com.br/

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  3. Oi amiga!
    Te confesso que este livro não chamou muito a minha atenção.
    Sua resenha me esclareceu mais sobre o assunto, achei interessante, mas não sei se o leria.

    Beijos

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  4. Olá Zilda,

    Esse livro esta na minha lista de espera e até ler a sua resenha não tinha muita idéia do que esperar dele, agora fiquei be curioso...parabéns pela sua resenha...abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  5. Que louco Zilda.
    Flor a resenha ficou completamente doida no principio, mas deu pra captar o livro... Mas ainda estou tentando compreender a maestria de fazer todas estas loucuras se encaixarem... preciso ler logo!

    xoxo
    Mila F.
    @camila_marcia
    De Livro em Livro

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  6. Ah, devo confessar: não curti o livro, eu li e fiquei muito confusa e sl, para mim não foi nenhum pouco legal :(
    Beijos.
    http://www.garotadolivro.com/

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  7. Não cheguei a ficar confusa quando o li, na verdade espera uma história bem diferente e acho que isso tirou um pouco meu foco do livro e não pude perceber alguns dos pontos que você expos na sua resenha.
    E pensando bem, o autor realmente quis abordar vários pontos e acabou se perdendo no meio deles e embaralhando tudo.
    Adorei a resenha!
    Beijoosss
    Samantha Artes e Books

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  8. Terminei de ler o livro a poucos minutos rsrs \o
    Terminei de ler ele em menos de 5 dias( um record pra mim, que demoro bem mais que isso), ele me prendeu a atenção e me deixou ansioso pelo final... Assim, tive certos conceitos definidos pelos personagens, principalmente por Cullen, no inicio ele era o estranho, bem informado, inteligente, que não tinha jeito com garotas e tal, mas aí no decorrer do livro ele fica com 3 garotas diferentes, e até com bastante confiança, apesar de ter um certo "oh, ele não sabe o que faz e não passa de um apaixonado" isso se perde as vezes, fora isso eu curti bastante, ele é meio sinistro, com tantas mortes, devaneios inesperados kkkk E acho que poderia ter um final... Melhor, eu diria, já li melhores, mas não é de todo ruim, curti ele, recomendo pra quem se interessar ^^'

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