|Resenha| Um Herói para ela - Lu Piras @Novo_Conceito

sexta-feira, maio 09, 2014



Bianca sempre quis ser roteirista de cinema. Para realizar seu sonho, ela sai do Brasil para estudar na famosa New York Film Academy. Em meio às emoções da nova vida na Big Apple, um rapaz misterioso acaba salvando a vida de Bianca em duas situações diferentes.
Tudo o que ela sabe é que o seu herói tem no braço uma misteriosa tatuagem. Sem pistas sobre o seu protetor, ela é convidada para um show da banda The Masquerades, cujos componentes escondem os rostos atrás de máscaras. Uma rosa branca cai sobre o seu colo, arremessada pelo vocalista. Decidida a desvendar a identidade do mascarado, Bianca invade o camarim da banda. A surpresa que a aguarda por trás daquela porta poderá mudar o seu destino. Uma história cheia de humor e romance.


Quando decidi optar pela leitura do livro Um Herói Para Ela imediatamente me questionei se deveria ou não dar uma chance ao livro. Por mais que o gênero me agradasse, algo me incomodava. Talvez a “culpa” tenha sido da capa. Já disse diversas vezes aqui minha aversão em relação a fotos com rostos e todo o problema de identificação com os personagens. Geralmente as imagens não correspondem as nossas expectativas. Quem já julgou um livro pela capa ou pela sinopse sabe muito bem o quanto isso é frustrante. O fato é que eu já tinha uma ideia formada a respeito do livro que impedia de iniciar a leitura. Até que parei e me fiz o seguinte questionamento: Por que não? Por mais que o livro passe a ideia de um romance água com açúcar, daqueles bem melados, previsíveis e cheios de clichês, por que não? A resposta é simples e veio literalmente a galope com direito a príncipe encantado e tudo. Lu Piras simplesmente nos enlaça já no primeiro capítulo. 

A verdade é que ando me surpreendendo bastante com alguns livros. Acabo por julgar o livro equivocadamente, e foi exatamente isto que ocorreu com Um Herói Para Ela. Isso se deve ao fato de que são poucos os autores que se reinventam e que procuram fugir da mesmice. E, convenhamos que encontrar um romance com ideias inovadoras é cada vez mais difícil. 

Em Um Herói Para Ela Lu Piras arrisca e lança mão de alguns elementos demasiadamente explorados em outras narrativas. Formada em Direito Bianca trabalha como assistente em um escritório de advocacia. Bianca sofre com a baixa autoestima por não se sentir realizada profissionalmente. O sonho de Bianca era ser roteirista de cinema, porém Bianca não toma nenhuma atitude para mudar de vida. Além de trabalhar com algo que não a satisfaz, Bianca sonha encontrar o seu verdadeiro amor, o seu príncipe encantado. Peraí?! Ela ainda acredita em conto de fadas? Sim. Acredite. Bianca é uma moça que ainda sonha e deseja um príncipe encantado.

Bem, até aí nada de novo, não é mesmo? Pelo contrário, quantos romances do gênero já descreveram o mesmo perfil. Se você assim como eu não acredita que seja possível tornar um romance cheio de clichês em algo realmente bom é porque ainda não se deu conta do talento de Lu Piras.
A autora não deixa dúvidas sobre seu talento com a escrita. Sua narrativa é fluída, envolvente, seus personagens são reais e todos os acontecimentos que desencadeiam a trama de Bianca e seus pretendentes a príncipe encantado são perfeitos.

O início do livro já nos apresenta uma moça comum que possui muitos sonhos, mas que não tem coragem de correr atrás de nenhum deles. Bianca é tão acomodada que não tem coragem nem de largar o emprego mesmo após sofrer assédio sexual por parte de seu chefe, um velho asqueroso que a cumprimenta sempre com tapinhas nas nádegas. Fala sério! A sorte de Bianca é ter pais como Helena e Ronaldo. 
A mãe cansada de ver Bianca desperdiçando a sua vida naquele emprego medíocre e trocando de namorado como quem troca de calcinha decide inscrevê-la para um curso de roteirista na cidade de Nova York. O único problema é que Bianca sequer tem conhecimento do que seus pais estão planejando. Mesmo sem acreditar na possibilidade de estudar fora do país e ainda por cima realizar um de seus grandes sonhos Bianca embarca rumo a terra do tio Sam.

Daí por diante Bianca tem a chance de realizar seus sonhos, porém como é de se esperar nossa mocinha passará por muitos percalços ao longo da narrativa. A começar por ter de conviver com duas meninas sob o mesmo teto. Bianca passa a morar com Mônica, atriz e bailarina, natural da cidade de São Paulo que sonha em estrear um espetáculo na Broadway. E Natalya, uma russa com caráter um tanto duvidoso que trabalha como relações-públicas no El Calabozo, um dos points mais badalados do Bronx.

A recepção de Bianca não foi das melhores, graças a atitude arrogante de Natalya de se fazer a pessoa mais antipática e intragável do mundo. Já com Mônica a coisa flui naturalmente. Ambas tornam-se amigas imediatamente. Dado o primeiro impacto, Bianca promete a si mesma não se envolver com ninguém e, apenas focar no curso de roteirista. Obviamente que, para o romance dar aquela guinada é preciso incluir alguns contratempos e muitas discórdias. Bem, por esse motivo Lu Piras não se contenta em incluir um rapaz, como dois, ou seria três para desencadear uma verdadeira revolução na vida de Bianca.

Ah..é nessas horas que as coisas ficam realmente interessantes porque se existe uma pessoa que consegue criar personagens que saltam às páginas essa pessoa chama-se Lu Piras. Que facilidade! Lu Piras constrói um triângulo amoroso apaixonante. 
Paul é um mauricinho, filho de um famoso cineasta que frequenta o mesmo curso que Bianca. Paul é uma incógnita e desperta diferentes sensações ao longo da narrativa. 

Outro candidato ao posto de príncipe é o garçom gato, gostoso e tudo de bom que você possa imaginar. Salvatore trabalha como garçom no restaurante Bambino, um dos melhores restaurantes italianos da cidade. Detalhe: Salvatore é italiano. Eu disse italiano! Pensem num protagonista com barba por fazer, cabelos negros, sotaque charmoso e... Como assim Lu Piras? Isso é crueldade! Não consigo me desligar de Salvatore. Não consigo pensar em nada que não seja ele. Não consigo pensar ou fazer mais nada. (Desculpa, pessoal!Eu tinha que desabafar!)

Fico imaginando quantas noites mal dormidas foram suficientes para que Lu Piras pudesse criar tais personagens. Quantas noites de sono foram dispensadas para construir uma narrativa tão deliciosa?

Como já diz o velho ditado: “Um é pouco, dois é bom, três é demais”. Sim, três é demais. Bastava dividir a atenção de Bianca entre Paul- o mauricinho hollywoodiano e Salvatore – o garçom misterioso. Mas, não. Lu Piras não poupa esforços para agradar seus leitores. Ela nos brinda com um vocalista mascarado que flerta descaradamente com Bianca num dos shows da banda “The Masqueredes” no El Calabozo. Nossa! É muita testosterona para um único romance. Confesso que em alguns momentos achei desnecessária a existência de Paul, que a meu ver, não merecia nem fazer parte da história, mas como é que se diz mesmo? “Apressado come cru”. Ditados e clichês a parte não há como não vibrar diante de tantas reviravoltas. 

O único ponto que talvez, pudesse ser mais explorado na narrativa seria o principal motivo por Bianca estar na cidade de Nova York. O verdadeiro motivo, escrever um roteiro e investir na carreira foi por vezes posto como secundário. Acredito que conseguiríamos acreditar que Bianca realmente estivesse interessada na carreira. A única coisa que fez com que eu desconsiderasse tal deslize foi o fato de que Bianca é uma jovem muito sonhadora, quase lunática. Por que pelo amor de Deus, quem em sã consciência dialoga com seu próprio personagem? Apesar de tudo curti demais esses rompantes de Bianca.

Aliás gostaria de elucidar a criatividade e versatilidade da autora em inserir linguagens tão dinâmicas para compor os diálogos. Entre um diálogo e outro Lu Piras descreve personagens bem humoradas e apaixonadas por hashtags e WhasApp.


Lu Piras exprime em Salvatore e em todos os personagens que fazem parte da colônia italiana seu respeito e admiração por esse povo tão apaixonante. Podemos conhecer um pouco sobre seus hábitos e cultura. 
A música também é outro elemento importante dentro da história. Apesar da autora não ter criado uma playlist oficial para o livro, ela se faz presente ao longo de toda a narrativa presenteando-nos com canções emblemáticas. Desde o rock alternativo com "We Are Young", da banda Fun até canções românticas como "Vorrei", do cantor e compositor Cesare Cremonini. Como toda apaixonada por conto de fadas e amante aficionada por roteiros, alguns filmes também são lembrados ao longo da narrativa através da música "That's How You Know" do filme Encantada - uma de suas cenas musicais preferidas. Tem como não amar esse livro?



Um Herói para ela é um livro fascinante em todos os aspectos. A escrita da autora é deliciosa, o ritmo ditado ao longo das páginas é perfeito intercalando momentos de extrema tensão com momentos de intensa euforia, todos envolvendo Bianca e seus pretendentes.
Num primeiro momento o leitor poderá até imaginar que se trata de uma história previsível com características semelhantes a um chick-lit, mas não se deixe enganar por muito tempo. Basta seguir adiante para ter a certeza que Lu Piras jamais poderia nos apresentar algo mediano. 

Não gosto de rotular os autores por sua nacionalidade. Acho isso totalmente irrelevante porque o que de fato interessa é o talento do autor. Mas o que realmente devemos destacar é a importância que o mercado editorial brasileiro tem dado aos autores nacionais. A editora Novo Conceito vem se destacando nessa empreitada e com isso, nós leitores somos presenteados com publicações impecavelmente bem elaboradas. Fiquei muito feliz assim que soube que Lu Piras faria parte desse projeto. Além de muito talentosa Lu Piras é uma pessoa linda. Extremamente simpática e receptiva com seus leitores ela merece colher os frutos do seu trabalho. Torço para que outros romances dela sejam publicados o quanto antes pela editora.

Um Herói Para Ela é um livro apaixonante. É aquele tipo de leitura que você estende ao máximo somente para adiar o final porque simplesmente não consegue se desprender de seus personagens. Se eu o recomendo? Aff! Sou capaz de passar uma noite inteira a fio falando a seu respeito. Brincadeirinha! Eu não lhes tiraria o prazer de conhecer esta obra tão deliciosa.



Título: Um Herói para Ela
Autora: Lu Piras
Editora: Novo Conceito
Número de páginas: 336


Você também pode gostar

12 comentários

  1. Oi amiga!
    Não tive interesse em ler este livro, mas sua resenha até me deixou curiosa. Nunca li nada da autora.

    Bela resenha.
    Beijos

    ResponderExcluir
  2. Li esse livro tem pouco tempo e não gostei. A Lu é uma fofa e tinha lido outros dois livros dela que gostei, mas esse eu achei muito fantasioso para quem queria passar a ideia de um livro mais real, pé no chão. Colocar vários elementos e não entrelaçar de modo que faça sentido foi outra coisa que notei, pelo menos pra mim foi assim. Espero poder ler mais coisas dela e gostar.

    Bjs, @dnisin
    www.seja-cult.com

    ResponderExcluir
  3. Nossa, que super resenha! Adorei. Esse livro da Lu Piras eu ainda não li, leio muito pouco os nacionais, mas estou pensando em dar uma chance pra esse.

    Abraços

    Alef - Floreios e Borrões - adpiagge.blogspot.com

    ResponderExcluir
  4. Sua resenha esta otima... Fiwuei curiosa agora e to querendo ler o livro :)

    http://foreverabookaholic.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  5. Nossa que ótima resenha, sem dúvidas fiquei morrendo de vontade de ler esse livro!
    Seguindo e adorando o blog, bjs!!!
    http://feitadepalavras.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  6. Olá Zilda,

    Primeiramente, feliz dias das mães!!!

    Acho que essa é a primeira resenha que leio desse livro, concordo com você livro com essa capas são horríveis e eu torço o nariz também, mais espero gostar desse livro, sua resenha me animou...abraços.

    ResponderExcluir
  7. Oi Zilda, haa tenho certeza que Lu é uma ótima autora, eu só não tive ainda oportunidade de ler seus livros, mais vou ler este..
    Adorei saber que já no primeiro capítulo somos enlaçados hehe
    Nossa, não ia aturar esse assédio que a protagonista passou no trabalho heimm..
    Sua resenha está ótima Zilda, me deu vontade de ler AGORA HEHE

    Beijos Mila

    ResponderExcluir
  8. Ai Zilda!!! Arrasou!!!
    Se a capa trazia algum problema, você detonou com ela, tô olhando aqui pra ela com outros olhos e até tô gostando, rs.
    Adorei o clima todo, a resenha, tudooooo!!!!

    Quero ler logo esse livro gente!!!

    Bjkas

    Lelê - http://topensandoemler.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  9. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  10. Oi Zilda, essa é a primeira resenha que leio desse livro. Já li outro livro dela e achei bom, não foi o melhor livro que li, mas gostei, ela soube elaborar bem a história, mas o gênero que li foi o sobrenatural, fiquei curiosa para saber como ela desenvolveu esse romance. Sua resenha me deixou com muita vontade de conhecer a história, principalmente Salvatore rsrs.

    Beijos!!!
    @jannagranado
    http://livrospuradiversao.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  11. Fiquei admirada com a escrita na primeira metade do livro, vendo descrições bem feitas, tramas até então bem desenvolvidas, e personagens bem humanos (como foi o caso da Natalya, que considerei uma personagem HUMANA, por assim dizer...). Mas eu penso que a partir da parte que a Bianca se envolveu com o garanhão italiano, a coisa meio que perdeu o foco e desandou...
    A Bianca podia ter se desenvolvido mais no sentido de ser menos donzela em perigo... Porque não foram poucas as vezes que ela vivia se metendo em confusão, e o cara sempre se ferrava pra ir lá e salvar ela (coitado do Juan, me deu até pena). Fora que ela era muito egoísta... As coisas acontecendo e fervendo, e ela só pensando em paixões e em como ela tava desarrumada... COMO ASSIM? Sabe? kkkk
    A autora teve a chance de pegar uma personagem e amadurecê-la, mas perdeu essa oportunidade, porque ela seguiu sendo uma protagonista daquelas bem clássicas... (e obsoletas). Ah, quando ela descobriu que o cara era mafioso, ela ficou com julgamento idiota de moral, e se meteu em perigo só pra dar um fora no cara, e fazer ele correr um risco do diabo! kkkk Achei incoerente isso.

    A parte do sequestro do filhinho de papai aquele... Achei o "ó" aquela parte... Destoou completamente do restante da trama... Fora que não fechou com o personagem aquelas atitudes. Ficou muito aquela coisa: "OH, SALVATORE! ME SALVE! ME SALVE!" E o cara me aparece num helicoptero com vários capangas e uma metralhadora (?!) fazendo alusão ao James Bond? Por favor... kkkkkkkkkk A autora realmente viajou nessa parte! Isso sem contar o mero detalhe dela namorar vários caras, ter 23 anos e ser virgem. Achei muito "Bela Swan" ou "Anastasia Steele" essa parte. Fora as frases românticas do Salvatore que soavam muito irreais prum garanhão cheio de virilidade como ele (também senti falta de uma narrativa contendo sexo, mas como é um livro mais romântico, isso até foi ok!).

    Dou nota 6,0 pra equilibrar a média. A narrativa é excelente, e a descrição é ótima. Mas da metade pro fim, a história ficou muito estranha.

    ResponderExcluir
  12. Fiquei admirada com a escrita na primeira metade do livro, vendo descrições bem feitas, tramas até então bem desenvolvidas, e personagens bem humanos (como foi o caso da Natalya, que considerei uma personagem HUMANA, por assim dizer...). Mas eu penso que a partir da parte que a Bianca se envolveu com o garanhão italiano, a coisa meio que perdeu o foco e desandou...
    A Bianca podia ter se desenvolvido mais no sentido de ser menos donzela em perigo... Porque não foram poucas as vezes que ela vivia se metendo em confusão, e o cara sempre se ferrava pra ir lá e salvar ela (coitado do Juan, me deu até pena). Fora que ela era muito egoísta... As coisas acontecendo e fervendo, e ela só pensando em paixões e em como ela tava desarrumada... COMO ASSIM? Sabe? kkkk
    A autora teve a chance de pegar uma personagem e amadurecê-la, mas perdeu essa oportunidade, porque ela seguiu sendo uma protagonista daquelas bem clássicas... (e obsoletas). Ah, quando ela descobriu que o cara era mafioso, ela ficou com julgamento idiota de moral, e se meteu em perigo só pra dar um fora no cara, e fazer ele correr um risco do diabo! kkkk Achei incoerente isso.

    A parte do sequestro do filhinho de papai aquele... Achei o "ó" aquela parte... Destoou completamente do restante da trama... Fora que não fechou com o personagem aquelas atitudes. Ficou muito aquela coisa: "OH, SALVATORE! ME SALVE! ME SALVE!" E o cara me aparece num helicoptero com vários capangas e uma metralhadora (?!) fazendo alusão ao James Bond? Por favor... kkkkkkkkkk A autora realmente viajou nessa parte! Isso sem contar o mero detalhe dela namorar vários caras, ter 23 anos e ser virgem. Achei muito "Bela Swan" ou "Anastasia Steele" essa parte. Fora as frases românticas do Salvatore que soavam muito irreais prum garanhão cheio de virilidade como ele (também senti falta de uma narrativa contendo sexo, mas como é um livro mais romântico, isso até foi ok!).

    Dou nota 6,0 pra equilibrar a média. A narrativa é excelente, e a descrição é ótima. Mas da metade pro fim, a história ficou muito estranha.

    ResponderExcluir

Obrigada pela visita! Sua participação é muito importante.

SIGA-ME NO INSTAGRAM: @zildapeixoto