|Resenha| Diário póstumo de Charlotte - Jairo Sarfati @NovoSeculo

terça-feira, maio 19, 2015


Ganhei o livro Diário póstumo de Charlotte em um sorteio promovido pelo próprio autor em sua página no Facebook. Ao ver o anúncio do sorteio fiquei imediatamente curiosa para conhecer a obra. A primeira coisa que me chamou a atenção foi à belíssima capa do livro. Uma combinação singela de cores e imagens bucólicas tornava-o muito atraente. Mas e a história? Bem, eu nada sabia a respeito sobre o livro. Minha única referência era a sinopse. Seria um tiro no escuro, deveria confiar puramente na esperança de que a história tivesse algo mais a dizer. Bem, infelizmente, as coisas não saíram como eu esperava.


Jairo Sarfati poderia ter alcançado o sucesso com sua narrativa senão tivesse cometido erros grotescos, tais como: escrever a história em primeira pessoa. Esse talvez tenha sido o seu maior erro. Particularmente gosto bastante de narrativas em primeira pessoa, mas são poucos os autores que conseguem tal façanha. Para escrever sobre a perspectiva do personagem principal é preciso que o autor tenha muito cuidado, pois é muito comum vê-lo repetir inúmeras vezes o mesmo pensamento, ou seja, colocar frases repetidas. Muitas vezes o personagem passa tempo demais divagando, conjecturando ideias pífias que só servem para deixar a narrativa lenta e cansativa. E foi exatamente isto que aconteceu durante toda a leitura do livro.

Outra coisa que me incomodou bastante foi o comportamento demasiadamente infantil por parte de Charlotte. Gente! A garota tinha dezesseis anos, mas tinha uma mentalidade e se comportava como uma garota de 7 anos. Pelo amor de Deus! Seus pensamentos, suas frases melódicas, tudo em Charlotte soa tão falso como uma nota de três reais.
E em terceiro lugar, o enredo e o desenvolvimento da narrativa deixam muito a desejar. Inicialmente tentei me conectar com a história e compreender um pouco a cabecinha de Charlotte, mas conforme a história ia sendo construída as coisas se tornavam ainda mais difíceis. 

Charlotte era uma menina (de 16 anos) muito pobre que sofria muito com a rejeição dos colegas da escola. Charlotte sofria porque era pobre e gorda. Mesmo sendo muito inteligente isso não fazia de Charlotte uma pessoa benquista no colégio. Todos a perseguiam e insultavam-na sempre que possível. Charlotte era bolsista na Academia de Cambridge, a melhor escola de ensino médio de Londres. Charlotte era uma menina muito estudiosa. Apesar de toda sua dedicação, Charlotte sofria com a escassez de recursos de sua família. Ela morava na periferia de Londres junto com a mãe, sua irmã caçula Melaine e seu padrasto. Mesmo passando por dificuldades financeiras Charlotte não se deixava abater. A única coisa que lhe fazia sentir mal era ser perseguida e humilhada por seus colegas de classe.

Mas em meio todo o desconforto causado pelo bullying, Charlotte tinha um motivo para ter esperança. Ela se apaixonara por Victor, um garoto lindo e de olhos azuis que sentava ao seu lado na sala de aula. O início da amizade entre Charlotte e Victor foi como um conto de fadas, só que às avessas. Charlotte amava Victor que não sabia do sentimento de Charlotte. e, isso consumia toda a energia de Charlotte. Como se declarar a Victor? Eu sou gorda e pobre e feia! (isso cansa minha beleza). 

Depois de ambos ficarem amigos, as coisas se tornaram um pouco mais fácil para Charlotte que deixara de se preocupar com a perseguição das meninas que a insultavam. Porém, a maldade de Katherine e Maggie, suas antagonistas não tinha fim. Graças à perversidade de Katherine, Charlotte é atropelada no momento em que a malvada Katherine lança o diário de Charlotte pela janela da sala de aula. A humilhação de ver todos os colegas caçoando de seu amor por Victor, já que Katherine lera em voz alta as confissões de seu diário foi um momento terrível para Charlotte. Atordoada, Charlotte sai correndo desesperadamente da sala de aula para recuperar seu diário e morre atropelada em frente à escola.


Isso tudo parecer extremamente chocante, mas a morte de Charlotte não causa nenhum sofrimento por conta da falta de continuidade da história. Ao fazer a passagem Charlotte reencarna inexplicavelmente no corpo de Sophia, uma menina da mesma idade que está em coma num hospital da cidade. Tudo acontece muito superficialmente. Um anjo leva Charlotte até o hospital onde está Sophia e diz a Charlotte que ela tem uma nova chance. 

Charlotte tem a missão de continuar a seguir sua vida só que habitando o corpo de outra pessoa. Sem as memórias de Sophia, Charlotte terá de descobrir qual é a missão que o anjo lhe dissera. Em seu novo corpo, Charlotte terá a oportunidade de conhecer o luxo, a riqueza, a facilidade que o dinheiro pode lhe oferecer, coisa que jamais poderia sonhar quando era pobre. Agora como Sophia, Charlotte terá de descobrir uma maneira de se reaproximar da mãe, da irmã e de seu amado Victor sem que ninguém desconfie da verdade.


Fiquei extremamente decepcionada com o livro por diversos motivos. Não gostei da manobra ou seja lá qual for o nome que o autor tenha dado ao fato de trazer a reencarnação para a história. Mesmo se tratando de uma ficção é inadmissível aceitar que um corpo habite outro sem um mero preparo ou pelo menos que algo seja explicado. Charlotte ocupa o lugar de Sophia sem mais nem menos. Um anjo surge com metáforas e frases que não tem sentido algum, nem pra Charlotte, nem pra nenhum ser que tenha um mínimo de compreensão. Os diálogos trocados entre Charlotte e o anjo são confusos, cheios de mensagens sublinhares que, mas parece algum tipo de contato alienígena. 

Sophia, por exemplo, coitada, morre sei lá de quê. Nós não temos esse conhecimento e tudo fica sem ser explicado até o final da história. Podemos saber um pouco sobre a personagem somente após o término do livro quando o autor decide dar uma prévia do segundo livro, já que o diário póstumo de Charlotte é o primeiro livro de uma série. 

Victor é outro personagem extremamente chato e desnecessário no livro, caso ele não fosse o personagem principal. O garoto de (17 anos) é tão bobo, confuso e imaturo quanto Charlotte. O pouco diálogo proferido por ele não agrega em nada. Assim como Charlotte, Victor é um menino inseguro que não sabe lidar com seus sentimentos.

Uma das coisas que me deixaram bastante curiosa foi o fato de Charlotte contar seus sentimentos através de seu diário. Eu gosto de narrativas que incluam este tipo de recurso, mas até nisso o autor estragou tudo deixando a narrativa ainda mais cansativa e infantil. As confissões de Charlotte são muito infantis, suas frases e colocações são repetitivas. Óh vida! Oh céus! Ainda bem que o diário não podia responder as suas lamúrias.

Em relação à escrita pude perceber a falta de experiência do autor. São muitos parágrafos, às vezes períodos inteiros repetindo a mesma coisa. Em alguns casos, o uso de frases de efeito tornou o capítulo ainda mais amador e cansativo. É uma pena porque a história em si poderia ter sido mais bem aproveitada. 
Uma das mensagens do livro é reforçar a ideia de que para ser feliz nós não precisamos de muito. Mesmo quando pobre, Charlotte tinha o amor e atenção de sua mãe diariamente. Charlotte aprendera que o amor era o bem mais valioso. Já no corpo de Sophia, Charlotte percebe que mesmo morando em uma mansão, sendo linda e rica, a felicidade pode custar bem caro. Sua mãe atual é uma estilista muito poderosa e que não tem tempo para se dedicar a filha. De nada adiantava tanta riqueza se Charlotte não tinha o amor de seu amado e a atenção de sua mãe.

Diário póstumo de Charlotte é um livro romântico muito açucarado que pode causar diabete crônica aos desavisados. Sua narrativa um tanto lenta pode causar dormência cerebral e sua escrita simplória e redundante pode causar traumas irreversíveis.

Para leitores menos exigentes e que curtam histórias fofinhas pode ser uma boa pedida. Infelizmente comigo não funcionou muito bem. História fraca, personagens apáticos, narrativa lenta e cansativa. No final do livro temos uma playlist bem interessante. Deu pra salvar alguma coisa.


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Sinopse: "A morte era a única maneira de escapar daquela dor; a dor de meu corpo ensanguentado era menor que a dor de cada risada, era menor do que a dor de ver o rosto de Victor ao saber de tudo aquilo, de minha paixão, principalmente. Quem diria que a morte seria o alívio para toda aquela dor. Não pude mais resistir..." Existe vida após a morte? Será que existe um amor tão forte que conseguiria atravessar uma vida, e florescer em outra? Charlotte é uma garota humilde e fora dos padrões estéticos que mora no subúrbio de Londres, estuda em uma escola particular por ser bolsista. Isolada e sem amigos, ela conta apenas com o seu diário para desabafar, até encontrar um jovem transferido, chamado Victor. Mas o que aconteceria se algo interrompesse a sua vida medíocre e a recolocasse no corpo de uma jovem bonita e de alta sociedade? Será que os seus laços com Victor continuariam tão estreitos? A morte pode não ser o fim para sua história.

Título: Diário Póstumo de Charlotte
Autor: Jairo Sarfati
Editora: Novo Século
Ano: 2013
Páginas: 272


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1 comentários

  1. Oi amiga!!
    Te confesso que eu fiquei intrigada com o contexto desse livro, fiquei na dúvida se eu o leria ou não, ao mesmo tempo que a premissa me deixou curiosa e com vontade de ler.
    Essa capa realmente é muito linda, gostei!!

    Beijinhos!!

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