|Resenha| A Ilha de Bowen - César Mallorquí - @EditoraBiruta

sexta-feira, julho 31, 2015


Há poucas horas concluí a leitura de A Ilha de Bowen, do escritor espanhol César Mallorquí que recebeu premiações importantes, tais como: o Prêmio Nacional de Literatura Infantil e Juvenil 2013, Espanha; e o Prêmio Edebé de Literatura Juvenil 2012; Nomeado ao Celsius Award. 


Fiz uma verdadeira viagem ao me arriscar nessa aventura, tendo em vista que não sou fã de livros de aventura, muito menos de ficção científica. Na verdade, fui convidada pela querida Camila Márcia do blog De Livro em Livro para participar de um book tour organizado em parceria com a Editora Biruta. A proposta era simples: ler e consequentemente resenhar o livro em questão no prazo de 15 dias. Até aí tudo bem, mas o que eu não sabia que o livro possui mais de 500 páginas! What’s? 
O choque foi grande. Assim que recebi o livro já fiquei me martirizando por acreditar que eu não conseguiria concluir a tarefa. Enfim, passado o susto era hora de deixar o medo de lado e se divertir.

Já nos primeiros capítulos pude perceber que A Ilha de Bowen se tratava de uma obra completa, daquele tipo de literatura que tem algo mais a oferecer. O livro possui uma narrativa intrincada, cheia de mistérios a serem desvendados e personagens que cativam imediatamente.

A ilha de Bowen traz referências marcantes com a obra do escritor Júlio Verne. Aliás, o próprio autor deixa isso bem claro no posfácio denotando toda sua admiração ao autor. Tal referência é evidente desde os primeiros capítulos. A narrativa possui um ritmo acelerado, contudo, o leitor poderá acompanhar todas as ações sem que nada passe despercebido.

Além da aventura e do mistério em si foi muito interessante conhecer um pouco mais sobre a época em que o livro é narrado. A história se passa no século XX e por conta disso, fatos históricos importantes são inseridos na narrativa, como por exemplo, a questão cultural de que as mulheres não poderiam opinar, trabalhar ou até mesmo fumar em público, ou seja, colocações importantes que tornam a narrativa ainda mais rica. 

O mistério é iniciado já no primeiro capítulo com a morte do tripulante Jeremiah Perkins que estava a bordo do barco Britannia. Jeremiah foi assassinado por dois homens que trabalham para uma organização muito perigosa. Os capangas estavam em busca de informações sobre John Foggart, um arqueólogo renomado que estava a bordo no Britannia que, inexplicavelmente sumira assim que o barco atracou no porto.

Foggart incumbira Jeremiah de enviar um pacote com um conteúdo muito valioso para a Inglaterra. Jeremiah enviara o pacote sem imaginar que corria risco de morte. Em uma de suas explorações Foggart havia descoberto fragmentos de um metal muito valioso numa antiga igreja pré-românica: uma cripta com o sepulcro de São Bowen. Após essa descoberta Foggart enviou uma correspondência a sua esposa Elizabeth dizendo-lhe que, caso algo acontecesse ela deveria pedir ajuda ao professor Zarco.

No meio de todo esse rebuliço surge Samuel Durango, um fotógrafo que há pouco tempo havia se mudado para Madri em busca de uma vida tranquila e estabilizada. Samuel encontra em um anúncio de jornal uma vaga para atuar como fotógrafo na instituição denominada SIGMA (Sociedade de Pesquisas Geográficas, Meteorológicas e Astronômicas). Entre alguns dos pré-requisitos destacavam-se "frieza e coragem ante o perigo”. Tais características chamaram a atenção de Samuel que decidiu conferir o que estaria por trás desse trabalho tão “ameaçador”.

Já na SIGMA Samuel conhece o professor Zarco e sua secretária Sarah. O professor Zarco é um homem meio rude, grosseiro, sem papas na língua. Zarco é um homem sem muita paciência e muito desorganizado com seus projetos e pertences, cabendo a Sarah organizar a vida do professor. Sarah consegue exercer várias funções dentro da instituição, além de se dedicar ao pequeno Tomás que é apenas um bebê. É engraçado como o autor mais uma vez coloca a figura da mulher em evidência mostrando-nos como a sociedade da época encarava a posição da mulher.

Zarco é um homem machista e arrogante, mas com Sarah as coisas eram bem diferentes. É como ele enxergasse Sarah como um homem, por isso, a benevolência com sua secretária. Isso é muito irritante.

Samuel fora contratado pela SIGMA para acompanhar Zarco em uma expedição à Venezuela para explorarem os tepuis da Grande Savana. Mas os planos de Zarco sofrem um desvio por conta da chegada de Elisabeth Faraday, a esposa de Foggart e, sua filha, a jovem Katherine. Dado as seguintes informações ao professor Zarco sobre o desaparecimento de seu marido a viagem à Venezuela é colocada em segundo plano, pois caberá ao professor Zarco desvendar o mistério do desaparecimento de Foggart e encontrar repostas sobre o metal valioso encontrado na Ilha de Bowen. 

Como disse anteriormente não tinha ideia do que me esperava assim que iniciei essa leitura. Além de ser a minha primeira experiência com a escrita de César Mallorquí o livro possui informações e referências que até o momento eu não possuía qualquer identificação. Contudo, me surpreendi assim que me vi totalmente envolvida com a narrativa do autor. Sem sombras de dúvidas, A Ilha de Bowen foi um projeto bem pensado e muito bem elaborado pelo autor. A história foi bem construída e, com toda a certeza, uma pesquisa meticulosa foi realizada.

Os personagens são fortes e transitam com naturalidade mediante as dificuldades que lhe são impostas. Não há como não deixar de enfatizar a importância de Zarco dentro da narrativa. Ainda que seu temperamento e comportamento arredio cause certo desconforto. Sua integridade é admirável. O final do livro é desconcertante e me fez desejar saber ainda mais. Como vocês podem notar as 524 páginas fluem sem esforço algum.

César Mallorquí construiu uma história maravilhosa e que merecidamente se fez jus a todas suas premiações. Recomendo a leitura a todos que curtam histórias com muito mistério e aventura. Uma obra-prima riquíssima que merece um lugar especial na sua estante.



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Sinopse: Tudo começou com o assassinato do marinheiro Jeremiah Perkins, em um pequeno porto norueguês, e com um pequeno pacote, que ele enviou para Lady Elisabeth Faraday. Mas talvez a história tenha começado quando estranhas relíquias foram descobertas em uma antiga cripta medieval. Foi por causa disso que o mal‑humorado professor Ulisses Zarco resolveu embarcar em uma aventura a bordo do Saint Michel, enfrentando inúmeros perigos e o terrível mistério que envolvia a Ilha de Bowen.

Título: A ilha de Bowen
Autor: César Mallorquí
ISBN: 9788578481407
Editora: Biruta
Ano: 2014
Páginas: 524

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5 comentários

  1. Zilda, acabei de ler a resenha e ameih,

    Primeiramente quero agradecer pelo apoio ao book tour e ter topado esse desafio, deu para perceber que você gostou do livro, mesmo não sendo seu gênero favorito e que valeu a pena sair da "zona de conforto", isso me encanta.
    Ultimamente tenho gostado bastante dos livros que leio que estão fora da minha zona de conforto e tenho me decepcionado com alguns que acreditava que iria gostar por ser o tipo de livro que gosto... isso é bem relativo e tem acontecido com frequência.
    A Ilha de Bowen se mostra um livro cheio de aventura e com uma narrativa ágil. <3 Do jeito que gosto.

    xoxo
    Mila F.
    @camila_marcia
    www.delivroemlivro.com.br

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  2. Nunca tinha ouvido falar do livro mas já me interessei por causa da sua resenha e também por causa dessa capa linda, que isso <3
    Beijão!

    Sorriso Espontâneo

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  3. Oi miga
    Não conhecia o livro também, e confesso que para mim tbm seria um desafio, mas sabe qu me deu vontade de ler? Gostei muito da sua resenha.

    Beijos

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  4. Zilda!
    Como ficção e aventura sempre me atraem, fiquei fascinada pelo enredo do livro e no aguardo para poder ler.
    Fiquei muito feliz em saber que gostou, mesmo não sendo seu estilo favorito.
    Adorei como explanou a história de forma detalhada e assim já tive uma noção grande do que encontrarei e fiquei chocada por ter mais de 500 páginas, realmente o prazo é curo para leitura do booktour, porém se flui como falou, será fácil a leitura.
    Parabéns!
    Uma semaninha mais que abençoada!
    “As pessoas entram em nossa vida por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem.”
    (Lilian Tonet)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista!

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  5. Não conhecia esse livro. Adoro ficção científica e aventura. Já entrou para a minha lista.

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