|Resenha| A Lista Negra - Jennifer Brown @gutenberg_ed

segunda-feira, dezembro 12, 2016


O namorado de Valerie Leftman, Nick Levil, abriu fogo contra vários alunos na cantina da escola em que estudavam. Atingida ao tentar detê-lo, Valerie também acaba salvando a vida de uma colega que a maltratava, mas é responsabilizada pela tragédia por causa da lista que ajudou a criar. A lista com o nome dos estudantes que praticavam bullying contra os dois. A lista que ele usou para escolher seus alvos. 
Agora, ainda se recuperando do ferimento e do trauma, Val é forçada a enfrentar uma dura realidade ao voltar para a escola para terminar o Ensino Médio. Assombrada pela lembrança do namorado, que ainda ama, passando por problemas de relacionamento com a família, com os ex-amigos e a garota a quem salvou, Val deve enfrentar seus fantasmas e encontrar seu papel nessa história em que todos são, ao mesmo tempo, responsáveis e vítimas.



A Lista Negra estava na minha lista de desejados há muito tempo. Por vários motivos fui postergando a leitura, ora por conta do preço do livro físico que não era tão atrativo, ora por tantos outros livros que acabam passando na frente em meio a tantos lançamentos. Eu poderia listar inúmeros motivos por não ter lido esse livro e nenhum deles justificaria a minha estupidez.

Por mais que o desejasse nunca me permiti ler uma resenha sequer. Via uma foto aqui outra ali, comentários calorosos a respeito da sua magnitude e perfeição. Após tanto tempo de espera comprei o e-book durante a Black Friday na Amazon e pude conhecer a incrível narrativa de Jennifer Brown.

Ainda não consigo expressar o quanto me sinto devastada por essa história. Em seu livro de estreia Jennifer conseguiu criar uma história comovente que aborda o bullying de uma maneira muito diferente das que já li por aí. É angustiante, comovente, intenso, permitindo que reflitamos a maneira como muitas vezes somos cruéis, perversos e julgamos alguém erroneamente. 

A Lista Negra poderia facilmente entrar em diversas listas como: 1- Um livro que mudou sua vida; 2- Um livro que todo jovem deveria ler (aliás, que todo mundo deveria ler); 3- Um livro que te fez chorar; 4- Um livro com tema polêmico, entre tantas outras menções e recomendações tamanha sua amplitude. É de extrema importância que falemos cada vez mais a respeito do tema porque, todos os dias, milhares de jovens são afetados pelo bullying; sejam eles vítimas ou agressores. Uma das coisas que mais me chamou a atenção no livro foi justamente a maneira como a autora conduziu a narrativa expondo claramente os dois lados.

Inicialmente nos colocamos no lugar das pessoas que foram brutalmente assassinadas por Nick, porém, percebemos que ele é tão vítima quanto cada um dos adolescentes assassinados. O bullying é uma prática cruel que fere a todos, inclusive aquele que o pratica. Normalmente não conseguimos enxergar o lado do agressor, porque ele existe e não pode ser ignorado. Normalmente ele é praticado por pessoas psicologicamente frágeis que passaram ou estão passando por algo semelhante. É óbvio que seria muita hipocrisia da minha parte dizer que é fácil e totalmente compreensível porque não é.

O livro é dividido em quatro partes. Em sua grande maioria os capítulos são narrados por Valerie, mas ao longo da narrativa alguns são iniciados por uma notícia do jornal local relatando como cada uma das vítimas foi abordada e assassinada, além do relato de seus familiares. Confesso que foi bem difícil em determinados momentos não odiar intensamente a atitude de Nick, mas como eu disse anteriormente, para compreender melhor a ação de cada um é preciso cautela e distanciamento para não se deixar levar pelo pre-julgamento.

A tal lista negra surgiu através de uma brincadeira, um momento em que Valerie começou a listar todas as pessoas que de alguma forma lhe feriam já que ela sofria constantemente bullying dos colegas da escola. O palco da tragédia é o Colégio Garvin aonde Valerie e Nick cursam o ensino médio. Valerie é uma jovem bonita, inteligente, determinada, mas que sempre se sentiu diferente das demais pessoas. Como todo adolescente que não se enquadra Valerie é hostilizada pelo grupinho dominante. Nick, seu namorado também sofre com as perseguições e hostilidades praticadas pelos garotos do time e populares da escola. Procurando uma maneira de extravasar a raiva Valerie passa a escrever numa caderneta vermelha uma lista com os nomes de todas as pessoas que a maltratam. O único problema é que ela não imaginava que uma brincadeira poderia se tornar um dos seus maiores pesadelos provocando assim, uma tragédia sem precedentes.

Um certo dia Nick vai armado para escola determinado a acabar com todo aquele sofrimento. Movido pela ira Nick atira e mata inúmeras pessoas dentro do colégio. Na tentativa de conter Nick, Valerie se joga na frente de Jessica, uma das suas arqui-inimigas, que ela jamais pensara um dia defender dando fim à carnificina iniciada pelo namorado. Agora, Valerie precisa aprender a seguir em frente e superar a culpa pela tragédia já que tudo iniciara a partir daquela lista. O mais difícil será conviver com as diferentes opiniões que todos terão a seu respeito, inclusive sua própria família.

"Nunca o Colégio Garvin me pareceu tão intimidante quanto no meu primeiro dia naquela escola. Nunca eu iria associá-lo com um romance de virar a cabeça, com euforia, risadas, um dever bem-feito. Nada do que as pessoas pensam quando se lembram das suas escolas. Isso era apenas outra coisa que Nick tinha roubado de mim, de todos nós naquele dia. Ele não roubou apenas a nossa inocência e sensação de bem-estar. Ele também conseguiu roubar nossas memórias."

A Lista Negra aborda um tema muito difícil de ser discutido, porém extremamente necessário em tempos de tanto ódio e intolerância. Sabemos que não é de hoje, que o bullying está presente em nossas vidas, mas nunca ouvimos tantas notícias relacionadas ao tema. E pra piorar, a história contada por Jennifer não pode ser considerada apenas ficção. Quantas vezes já assistimos pela TV notícias que tiveram algum relação com o tema? Uma tragédia como a de Nick e Valerie é real.

Fiquei extremamente tocada todas as vezes que iniciava um capítulo e me deparava com a notícia que descrevia a morte de cada uma das vítimas. Com o decorrer da narrativa também foi bem difícil não sentir pena de Valerie ainda que, por vários momentos, eu não tenha concordado com seu comportamento. É incrível que Jennifer nos coloca diante de situações que nos coloca sobre constantes questionamentos. Estamos o tempo todo nos posicionando e refletindo sobre a perspectiva de cada um dos personagens envolvidos.

"Vi todo o mundo, um mar ondulante de desconforto e tristeza, cada pessoa com sua própria dor, cada qual contando suas histórias, todas mais ou menos trágicas ou triunfantes. Nenhuma mais trágica ou triunfante que a outra. De certa forma, Nick estava certo: às vezes, todos temos de ser vencedores. Mas o que ele não entendeu foi que todos temos também de ser perdedores. Porque não se consegue uma coisa sem a outra."

Apesar da narrativa focar em Valerie os personagens secundários ocupam um lugar de extrema importância. O convívio familiar aqui têm uma conotação especial e importantíssima para que o leitor possa compreender melhor a narrativa. Aliás, eu diria que, o leitor deve ler esse livro cautelosamente, destacando cada comportamento isoladamente para que a mensagem do livro seja bem compreendida. É um livro que serve como um alerta de que uma brincadeirinha de mau gosto, um apelido, um ato impensado pode levar a sérias consequências  e causar um estrago terrível na vida de todos.

Jennifer Brown nos convida a refletir como indivíduo, a repensar nossa conduta como sociedade. Seria tão mais fácil se aprendêssemos a lidar com as diferenças sem julgamentos. Se você, por algum motivo ainda leu A Lista Negra, você precisa colocá-lo como meta pra vida. Ele deve ser colocado como prioridade para que você possa viver essa experiência e possa passá-la adiante, indicando-o a todos que conhece. Precisamos de mais leituras como essa para que, de alguma forma, estejamos preparados para ajudar àqueles que vivem esse drama todos os dias.

A Lista Negra vai pra lista de favoritos da vida porque ele é muito especial para figurar apenas como melhores leituras do mês. Leiam e se apaixonem pela escrita de Jennifer Brown.



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Sobre a autora
Jennifer Brown nasceu em Kansas, passou boa parte de sua vida no subúrbio, mas também morou em Nova Jersey, mesmo assim se considera totalmente uma garota do centro-oeste rural dos Estados Unidos. Ela diz que teve muitos amigos imaginários, o que pode ser bom, porque teve que se mudar muito e o conviver com amigos reais era difícil.
Ela se formou em Psicologia e conseguiu alguns trabalhos de Recursos Humanos, mas não demorou muito para ela perceber que essa não seria sua profissão.
O que é inusitado é que Jennifer apesar de ter escrito um livro tão intenso como A Lista Negra, na verdade ela escrevia colunas de humor para um jornal. Inclusive ganhou dois Erma Bombeck Global Humor Award (2005, 2006), mas deixou de ser colunista e agora se dedica em tempo integral para os livros jovem-adulto. Skoob  


Ficha Técnica
Título: A Lista Negra
Autor: Jennifer Brown
Tradução: Claudio Blanc
Editora: Gutenberg
Páginas: 272


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