|Resenha| Cicatrizes, de K.A Robinson - Série Torn Livro 1 - @editorarocco

quinta-feira, fevereiro 02, 2017


Chloe deixa um passado familiar difícil para trás ao ingressar na Universidade de West, Virginia, ao lado da melhor amiga Amber e do fiel escudeiro, Logan. Em seus planos estavam começar uma nova vida e deixar seus demônios para trás, não se apaixonar à primeira vista. Mas justamente no primeiro dia de aula, o destino de Chloe começa a ser traçado em outra direção. Mais precisamente na direção de Drake Allen, típico bad boy cheio de piercings e tatuagens, dono de um mustang e vocalista de uma banda de rock. É o início de uma relação movida a paixão, desejo e muitos obstáculos, entre eles, abandonar de vez o passado e fazer escolhas que talvez sejam difíceis demais.


A louca do new adult está de volta, mas dessa vez bem mais contida, sem seus gritinhos exagerados ou qualquer outra manifestação de euforia. Esta sou eu, chocha, desanimada, completamente decepcionada após concluir a leitura de Cicatrizes, primeiro liro da série Torn, escrito por K.A. Robinson.

Quem acompanha o blog sabe que eu sou apaixonada pelo gênero new adult. Toda vez que surge um lançamento lá vou eu toda serelepe adquiri-lo. Na minha longa lista de livros lidos do gênero, até o momento, eu não havia lido nenhum livro que me decepcionasse tanto quanto Cicatrizes. Digo isso com muito pesar, pois eu nutria grandes expectativas. Isso é uma bosta, eu sei, por isso não devemos criar nenhum tipo de expectativa. Me dei conta de que o livro era realmente fraco já nos primeiros capítulos. 

Em primeiro lugar preciso dizer que não criei nenhum tipo de resistência ao livro, não, pelo contrário, fui persistente. A prova disso que li o livro de uma única vez, mérito da autora que soube construir uma narrativa leve, fluída e que prende a sua atenção. Contudo,não foi suficiente para que o livro se tornasse um dos meus queridinhos. Muita coisa deu errado nesse livro. Os personagens, por exemplo, todos são adoráveis, cativantes, mas eu me pergunto: Por que cargas d'água a autora não os explorou como deveria? Sabemos que a carga dramática é muito recorrente nesse tipo de livro e isso é um dos seus pontos marcantes, mas é preciso fazer isso com propriedade. Não dá pra lançar um trauma, um problema qualquer sem que ele seja bem trabalhado ao longo da narrativa. E foi exatamente esse o primeiro erro grotesco da autora.

Chloe está iniciando o ano letivo na universidade de West Virginia ao lado de seus melhores amigos: Amber e Logan. Chloe está fugindo de muitos problemas e entrar para universidade lhe dá a falsa ilusão de que todos seus problemas ficariam para trás. O que Chloe não imaginava é que seria exatamente lá que ela arrumaria ainda mais problemas para sua vida.
Já no primeiro dia de aula Chloe senta ao lado de um dos caras mais mulherengos e cobiçados da universidade; o bad boy-cantor-tatuado Drake. E claro, ela se sente atraída por ele imediatamente. A atração por Drake é inegável, mas o carinha é oposto de tudo aquilo que ela desejou. Ela não consegue se enxergar ao lado de uma pessoa como Drake, pois Chloe têm um certo problema com sua aparência...blã... A garota é linda, têm um jeito peculiar de se vestir mas, suas roupas no estilo roqueira escondem na verdade sua verdadeira fragilidade e insegurança. 

Logan, o melhor amigo, nutre um amor platônico desde sempre por Chloe e, claro, ela nunca desconfiou de nada (só mesmo sendo cega ou tapada porque Logan exagera no seu protecionismo). Enfim, Chloe desconhece os verdadeiros sentimentos de Logan, mas isso não quer dizer que o mocinho irá desistir de conquistá-la. Pois bem, apresentados os respectivos personagens vamos às primeiras constatações.

Cicatrizes é um livro repleto de clichês e que fique bem claro que eu curto histórias clichês, desde que bem construídas, caso contrário, será apenas mais um dramalhão no estilo mexicano. Em certos momentos foi exatamente assim que figurou o relacionamento de Chloe x Drake x Logan. Mas uma coisa é impossível negar: Drake é de longe o melhor, mesmo que por muitas vezes eu tenha o comparado com um pop star daqueles que protagonizam séries da Disney do que propriamente um astro de uma banda de rock. 
Logan é um personagem chato, apesar de ter notado o esforço da autora em fazê-lo atraente e protetor. O cara simplesmente pira, têm ciúme da própria sombra e acha que é o dono de Chloe. Definitivamente, triângulos amorosos não funcionam. Eles só dão certo quando os carinhas envolvidos têm algo mais além de músculos e um p@! grande porque foi exatamente assim que Chloe os retratou.

Sexo nesse tipo de livro é um bônus extra, mas não podemos esperar apenas pegação. Têm que trabalhar no drama de cada personagem, apresentar os fatos que o tornaram problemáticos, explorar a dor, o ressentimento e os efeitos causados pelo trauma vivido. Foi nesse ponto que K.A. Robinson pecou e muito. A trama é rasa, pouco elaborada, mal explorada. Chloe fica na dúvida entre Drake e Logan. Fiquei esperando uma explosão de Drake, uma mudança de atitude de Logan, um posicionamento mais firme de Chloe. A autora prometeu uma personagem descolada, destemida, mas a transformou em algo infantil. 

Não vou adentrar no dramas de Drake e Chloe. Basta que vocês saibam que Chloe foge de algo que aterrorizou seu passado. Drake é um cara solitário, perdeu seus pais ainda cedo e desde então vive cercado de mulheres. O passado os moldou e agora eles não sabem como lidar com tantas mudanças. Drake tinha tudo para fazer a figura do garoto-problema, o roqueiro pegador que não dá bola pra ninguém, mas acabou se tornando o cachorrinho número 2 de Chloe. Já Logan, o cachorrinho número 1, é um dos personagens mais chatos e inexpressivos que já vi. Sua relação com Chloe chega ser doentia, quase patética.

E o que dizer dos personagens secundários que, muitas vezes, tornam a narrativa mais atraente e dinâmica? Nesse caso, eles são apenas mero figurantes. Rachel, a colega de quarto de Chloe é alguém que está ali apenas para ocupar espaço, sem qualquer representação significativa. Os colegas e integrantes da banda de Drake são aqueles que apenas tocam instrumentos no fundo do palco. Jade é a única que dá as caras um pouquinho, mas seus diálogos são inexpressivos e pueris.
Cicatrizes tinha tudo para se tornar um livro incrível, elementos não faltaram, mas infelizmente, apresentou-se como uma trama fraca burlesca. Apesar de todas as ressalvas pretendo dar uma segunda chance a sua continuação. O final do livro deixa aquele gostinho de "quero mais" "e agora?". Fico na torcida para que no próximo livro a autora consiga trabalhar nisso da melhor forma possível.

Alerta de spoiler: fãs de Belo Desastre ficarão contentes em saber que têm algo sobre o romance na história. Ponto para K.A. Robinson, talvez o único. Aliás, a capa do livro é belíssima e a revisão cuidadosa, nesse quesito a editora Rocco está de parabéns. 

De qualquer forma, quero recomendar a leitura de Cicatrizes, mas recomendo que não crie tantas expecativas. Para os que se iniciam no gênero pode ser uma boa pedida. Cicatrizes é um livro com uma pegada dramática leve. A escrita da autora é o principal atrativo: simples, fluída. Devido a isso a leitura transcorre facilmente e quando você percebe chegou ao fim sem grandes alardes. Mas caso você seja exigente  e almeje um pouco mais do que testosterona eu recomendo que guarde suas energias para algo mais elaborado.  


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FICHA TÉCNICA
Título: Cicatrizes
Autora: K. A. Robinson
Série: Torn, Livro 1
Páginas: 288
Editora: Rocco
Selo: Fábrica 231
Ano:2016

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